QUEM AINDA ACREDITA NA VEJA?

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

A pergunta feita acima também poderia ser repassada a outros meios de comunicação, como a Folha de São Paulo e a Globo. Alguns comentários destes veículos de impressa são tão absurdos que chegam ao nível do ridículo.

Mas não há dúvidas que a Revista Veja é a bola da vez, na medida em que se apresenta cada vez mais como uma forma caricata de impressa de direta. São exemplos clássicos as páginas carregadas de cores pesadas, tons escuros, e manchetes tão tórridas como cômicas. É um tabloide com conteúdo superficial, dominado por páginas e páginas de patrocínios.

Ressalvada a correia de transmissão do Jornal Nacional, não se verifica mais nessa revista a credibilidade de anos atrás. Hoje as ações midiáticas são previsíveis, a Veja lança o escândalo no sábado, e já no início da noite do mesmo dia a matéria circula com ares dramáticos no citado canal de televisão.

E os diretores do Jornal Nacional produzem novelas com roteiros cada vez mais frágeis e previsíveis do que o seu decadente núcleo de dramaturgia.

São escândalos sobre coisas sem o menor fundamento, como a conversa de assessores parlamentares da base governista com dirigentes da Petrobrás, como se ilícito houvesse, ou como se uma Comissão Parlamentar de Inquérito tivesse hoje algum grau de credibilidade.

Também foi assim no caso Erenice em 2010, quando a Veja e as suas correias de transmissão lançaram mais um “escândalo” que morreu no judiciário e nos conselhos de ética por falta de qualquer fundamento jurídico.

Todo mundo sabe que as CPIs são cada vez mais arenas para projeção pessoal de alguns parlamentares apagados. Que algum senador do PSDB vai fazer um discurso maniqueísta, e que outro nobre político do DEM vai criticar a conduta ética de várias pessoas, mesmo que o seu partido ainda seja o bastião do pior momento da política brasileira, que foi a Ditadura Militar.

Sou do tempo que os professores recomendavam a leitura da Veja como fonte informação, mas desde a saída de Mino Carta para fundar a ótima Carta Capital o editorial da Revista perdeu qualidade, e virou um pasquim de direita. Digo mais, do pior tipo do pensamento da direita, aquele raivoso, que baba frente o sucesso de ideias diferentes.

Não é à toa que sempre observo que a publicação não tem mais saída nas revistarias. Nunca consigo encontrar uma publicação recente da “Carta Capital” ou da “Isto É”. A “Caros Amigos”, então, é produto de colecionador. Mas a Revista Veja segue empilhada nas prateleiras sem consumidores interessados em compra-la.

Comprar pra quê? Não há novidade. Nem o editorial de cinema consegue apresentar algum conteúdo aproveitável. A Veja tem menos conteúdo informativo do que revista de avião, nas quais ainda podemos encontrar lugares paradisíacos para viajar.

No sábado passado fomos novamente alarmados por um escândalo sem precedentes, que segundo a citada revista poderia abalar as estruturas da República. Bah! Que coisa absurda! Um ex-dirigente da Petrobrás, já com a corda no pescoço em razão da sua provável condenação por corrupção, resolve lançar mão da delação premiada, e alega existir mais um esquema de caixa 02 de campanha envolvendo vários parlamentares. Mas a Revista não aponta fontes, baseia-se apenas em relatos de um informante.

O “meio de comunicação” (se é que ainda podemos chamá-la assim), chega a acordar um morto e atinge de forma reflexa a candidatura puritana e messiânica de Marina Silva. Esta como guardiã da moralidade do capital financeiro afirma não ter conhecimento sobre o passado do PSB, mesmo que isto fira de morte o partido que lhe dá sustentação. Típico de quem vive pulando de partido em partido, sem compromisso com uma pauta política coletiva.

Mas de concreto, mesmo, a Revista Veja não apresentou nada!

O Jornal Nacional foi a mesma chatice de todos os dias, com seus escândalos vazios. Uma hora é o preço do tomate, outro o preço do filé (a Globo não conhece o conteúdo da palavra “safra”), outro é o efeito que o corte de uma árvore na Amazônia tem sobre a cultura da sede implantada pelo governo Alckmin (me esganei, este foi o Fantástico).

Não é à toa que a rede Globo vem amargando uma crescente queda de audiência. Pelo menos se a Globo assumisse abertamente ao público que é um grupo de oposição, como fazem outros meios de comunicações em países desenvolvidos, os incautos “Homers Simpsons” não precisariam ficar perdendo o seu tempo assistindo a paranoia do seu editorial “jornalístico”.

Por sinal, não podemos esquecer outro reflexo do faniquito semanal da imprensa direitista, que são as variações da bolsa. Provavelmente os especuladores, fortes apoiadores das candidaturas de Marina e Aécio, e defensores da autonomia do Banco Central vão fazer um joguinho de sob e desce com as ações da Petrobrás, causando ao país um prejuízo bem maior do que todos os supostos crimes explodidos toda semana pela Veja.

No fundo, o grande problema da Veja, da Globo, da Folha, do Estadão, e de outros veículos menos votados é a defesa intransigente do privatismo e do capital financeiro internacional. Se a Petrobrás quebrar, não tem problema, vira Petrobrax! Se o país quebrar, não tem problema, podemos virar uma nova Grécia com ares tucanos ou marineiros. O importante é vender manchetes, e enfrentar aqueles que um dia pensaram em transformar o Brasil num país mais desenvolvido, sem complexo de vira-lata, e com maiores garantias de igualdade!

 

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¹ Alusão ao personagem da Fox que acredita em tudo que é falado pela televisão.

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