QUEM SÃO OS HOMENS DE BEM DE MARINA SILVA? Cada vez mais fundamentalista, a candidata propõe um comitê para encontrá-los.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Marina Silva já não faz campanha eleitoral. Estabeleceu uma verdadeira “guerra santa” contra os partidos políticos e ao princípio democrático. Está cada vez mais difícil separar o que é hipocrisia do que é uma crença.

A última pérola demagógica da candidata foi a proposta de um “comitê para a busca de homes de bem”. Ou seja, de pessoas que tenham a capacidade e a honestidade para ocupar cargos públicos. Marina pretende largar o cajado e pegar a balança, e exercer o seu trabalho messiânico fundamentalista para julgar o caráter das pessoas. O grande problema é o seu critério de medida como veremos adiante.

Parece que a ex-senadora se julga acima do bem e do mal, como um ser supremo detentor de uma sabedoria incomum. É o auge absurdo de um comportamento megalomaníaco, muito distante do ideal de Democracia sustentado pelos maiores estadistas.

Chuchil, por exemplo, que estava longe de ser um socialista, afirmou de forma peremptória: “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas”. Aristóteles também considerava a Democracia imperfeita. Por isso afirmava o ideal da Politeia (o governo de todos) e o da Aristocracia (Governo do Melhores).

Contudo, o mestre grego considerava a Politeia impossível, pois se converteria no governo de muitos (ou dos pobres para alguns tradutores), que é a Democracia. Já a Aristocracia sempre degenerava para a Oligarquia, algo muito conhecido no Brasil na República Café-com-Leite, e de muitos apoiadores da candidata acreana.

Alguém já disse que a neossocialista não é uma candidata à Presidência da República, mas ao “cargo de Santa”. Talvez ela tenha incorporado este ideal, afastando qualquer estratégia política baseada na lógica e na razão. Seus discursos são milenaristas, como se estivesse indicando a chegada do apocalipse.

Todavia, quando confrontada com o mundo real, não consegue achar o caminho. Embretada num debate recente pela Presidenta Dilma Rousseff (PT), sobre como encontraria recursos para executar suas propostas, Marina (PSB) respirou, tergiversou e não disse nada.

Aliás, está num páreo duro com outra candidata oposicionista, mas no nível estadual, para ver quem apresenta o projeto mais inconsistente. Ana Amélia Lemos (PP) do Rio Grande do Sul, já afirmou em debate que não iria responder a uma pergunta do Governador Tarso Genro (PT), pois aquele não era o local. Ou seja, transparência zero. Apelou apenas, para um demagógico corte de pequenos cargos comissionados – algo como 0,3% do gasto do Estado com pessoal.

Mas o caso de Marina é o mais gritante, o mais absurdo, e o mais ofensivo a qualquer pessoa que se julgue ao mínimo com senso crítico. Ela pretende assumir o maior cargo do país com propostas indignas até mesmo a uma conversa de bar. Ofende diariamente a inteligência das pessoas, ainda de permanecer num jogo contínuo de mudanças de opiniões.

Quem são os homens de bem de Marina? O pastor Malafaia e sua cruzada contra o ativismo gay? O Deputado Feliciano, que afundou a direção da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados? A sua equipe econômica que pretende entregar a nossa soberania econômica ao capital internacional, oferecendo autonomia plena ao Banco Central? Quem tem poder para julgar os homens de bem por Marina?

Marina Silva acredita ocupar alguma poltrona no mais alto pedestal da moralidade, enquanto fecha os olhos a centenas de denúncias apresentadas contra os seus parceiros políticos. Diferente de Dilma, que promete investigação e punição, aliás, algo que já vem fazendo desde que assumiu o Cargo Maior da Nação, Marina tem preferido desconversar, aliás, já pensando em eventuais apoios nos segundo turno das eleições, se é que estes acontecerão!

Se em 2010 a candidata de oposição apelava para o falatório niilista, ao ponto de ter recebido o irônico apelido de Blá-blarina pelo colunista Paulo Henrique Amorim, em 2014 a “nova política” de Marina Silva é um discurso arrogante e irreal. Ela teima, insistentemente em desconsiderar a capacidade intelectual dos eleitores. E pior do que isto, migrou claramente para a direita no seu pior formato.

Governar acima dos partidos era uma pretensão de Benito Mussolini. Este também era defensor da Aristocracia, do Governo do Melhores! Tanto Marina Silva, como Mussolini, tiveram passado na esquerda democrática e caminharam para a Direita.

O governo do italiano foi uma tragédia, uma ditadura totalitária. Já o projeto de Marina, cada vez mais se apresenta um desenho autoritário, agressivo, mas com um modelo de ditadura diferente, comandada apenas pela hipocrisia e pelo capital financeiro internacional. Também tende a ser uma tragédia, pois segue o mesmo receituário de fome e desemprego aplicado na Grécia.

Já faz muito tempo que é uma heresia chamar Marina Silva de ambientalista. Hoje, também, é ofensivo a qualquer pessoa de bom senso, chamar o seu projeto de “nova política”.

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