A “NOVA POLÍTICA” DE TORQUEMADA.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Tomás de Torquemada foi considerado o nome mais poderoso da Inquisição Ibérica do século XV. Enquanto no restante da Europa já se apagavam as chamas da intolerância, no reino de Castela e Aragão o inquisidor geral ou “Grande Inquisidor” levou para a fogueira mais de 2.200 pessoas, especialmente judeus, protestantes e livres pensadores (cientistas e filósofos).

Deve ser lembrado que na época, antes das grandes navegações, acreditava-se em toda a península Ibérica que o mundo era quadrado, e que ao final da linha do horizonte os navegantes seriam devorados por monstros mitológicos do vazio infinito.

Ocorre que, diversamente, em meados do século II Antes de Cristo, o geógrafo grego Eratóstenes já havia calculado a circunferência do Planeta com uma precisão impressionante. O bibliotecário chefe da famosa Biblioteca de Alexandria, utilizando apenas instrumentos rudimentares e fórmulas matemáticas, chegou à conclusão de que Terra tinha uma curvatura de 40.000 km. Atualmente, com o uso dos mais modernos equipamentos científicos, sabe-se que esta distância é de 40.072 Km ao longo da linha do Equador, por tanto um erro ínfimo perto da diferença de tecnologia.

Logo, o pensamento Europeu do século XV era fruto de exclusiva ignorância, e da absoluta sonegação de informações guardados pelas poderosas bibliotecas do Papado. E era essa ignorância que dava poder à caça das bruxas realizada pela Inquisição.

Os autos-de-fé dominaram a Espanha de 1440 a 1826, sendo suspensos apenas quando da ocupação militar da racionalista Napoleão Bonaparte, e apenas do período do reinado de Torquemada mais de 13.000 pessoas foram levadas a julgamento.

Foram atacados judeus, protestantes, muçulmanos, cientistas, filósofos iluministas, ou apenas inimigos políticos do poder central. Mesmo quando as pessoas não eram condenadas à fogueira, eram moral e fisicamente destroçadas, pois na “busca da verdade” utilizava-se com frequência de tortura. Mas a autoridade religiosa apenas indicava os culpados, as bruxas e os hereges, sendo a punição realizada pelas autoridades seculares, por “a Igreja não derramava sangue”.

Além da morte pela fogueira e pelo garrote, estrangulamento, as punições atingiam os condenados em vida. Aqueles que sobreviviam eram submetidos à humilhação pública, com o uso de mordaças, máscaras metálicas de burro, roupas de penitente, dentre outras. Além disso, a própria Coroa Espanhola se apropriava dos bens do condenado, demonstrando que a Santa Inquisição de santa não tinha nada, era apenas o uso político das crenças para a consolidação do poder dominante.

Embora na teoria a Igreja considerasse os indígenas como “novos demais para a fé”, o legado do “Santo Oficio de la Inquisición em la América Colonial” foi a condução à fogueira ou à tortura de milhares de astecas e negros africanos que ousavam professar suas crenças, o que contribuiu para uma perda sem precedentes de elementos culturais não europeus.

Como pode ser observado, este breve relato histórico tem como objetivo demonstrar o risco da pregação da intolerância, da ação articulada para a exclusão da diferença. Se hoje não é mais aceito o uso da fogueira e da tortura – pelo menos por vias oficiais, já que tais práticas são utilizadas continuamente contra negros, nordestinos, gays, lésbicas e pobres de todos os tipos pelos movimentos neonazistas das grandes cidades – há outra forma de exclusão, que é a condenação ao silêncio!

Falar contra o pensamento da mídia hegemônica, expor verdades escondidas por jornais e revistas, ou simplesmente defender as ideias de forma autônoma, pública e transparente, pode resultar no uso desproporcional da Lei contra Blogs e agências independentes de notícias.

Os grandes meios de comunicação defendem a liberdade de imprensa apenas em favor dos seus filiados e seguidores. Pior, muitas vezes o Judiciário aceita a tese dos danos do poder midiático e dos seus asseclas, como no exemplo escandaloso ato de censura contra o sítio eletrônico independente “Muda Mais.

Assim como Aécio, que já havia atacado 66 twitteiros independentes, a seguidora de Malafaia, Marina Silva, resolveu exercer a sua censura de forma radical em desfavor de um órgão de imprensa livre que ousou (acreditem!) se posicionar contra a mente megalomaníaca e maniqueísta expressa no pensamento da defensora da “nova velha política” da direita.

Para o “Muda Mais” entregar o pré-sal para o capital internacional e dar independência ao Banco Central são forma de renúncia à soberania. O tripé dos juros altos, da elevação do superávit primário (leia-se, corte de investimentos públicos), e da banda cambial livre são retornos à ortodoxia da pobreza e da fome, vigente na década de noventa, nos idos de FHC e da privataria.

Mas o “Muda Mais” é diferente, não segue a cartilha do neoliberalismo, acredita na liberdade de opinião e expressão, não se vende ao capital de grandes banqueiros, por isso Marina Silva quer condená-lo ao silêncio!

Se Aécio tentou ser o grande censor e esmagar pequenos blogueiros e twitteiros independentes, Marina Silva pretende ser mais poderosa, a grande inquisidora, a reencarnação de Torquemada, e condenar todos que praticam uma fé diferente da sua, a fé do capital internacional, a fé da intolerância e da exclusão, ao silêncio absoluto!

Essa é verdadeira face dos arautos na “nova política”: aos seguidores, obrigados, aos livres pensadores e opositores, censura! Nada diferente da velha direita…

 

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Um comentário

  1. Aliás, a Marina se faz de vítima para poder atacar quem já percebeu o que ela, de fato, pretende fazer. As pessoas já perceberam que ela se vendeu ao capital e ao que há de mais retrógrado no Brasil, bem como está usando a sua origem humilde para dizer que ela é a favor dos pobres. Entretanto, o que ela não quer que as pessoas percebam é que ela mudou de lado: durante algum tempo esteve do lado dos pobres, até fez uma opção preferencial pelos pobres, mas, depois de um tempo se deixou seduzir pelas luzes da mídia monopolista e agora acha que pode enganar a população brasileira.

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