RIO GRANDE DO SUL EM DEFESA DA PETROBRÁS E DO PRÉ-SAL

plataformas

Estaleiros de Rio Grande – Foto: Sandro Miranda

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Durante muito tempo a metade sul do Rio Grande do Sul viveu em situação de penúria. A implantação de um modelo econômico centrado essencialmente nas grandes propriedades rurais e no pastoreio foi responsável pelo empobrecimento da população e pela ausência de um mercado consumidor que proporcionasse um futuro melhor.

 

Tamanha era a penúria, que alguns movimentos demagógicos de emancipação desta região chegaram a ganhar corpo, inclusive com traços de Sebastianismo. Em Pelotas e Rio Grande era comum ouvir o discurso de que ninguém investe na região, e que todos os recursos que eram produzidos aqui sofriam uma drenagem para a Serra ou para a Região Metropolitana de Porto Alegre.

 

Autocrítica sobre a matriz de desenvolvimento concentradora de renda e dos capitais produtivos, ou qualquer menção à Reforma Agrária, para criar uma classe média consumidora para impulsionar a atividade industrial, nem pensar.

 

O porto de Pelotas era uma lembrança do tempo em que os barcos fabricados em madeira não dependiam de calado de navegação. E São José do Norte era um lamento sobre um porto natural nunca aproveitado.

 

Quem lê os trechos iniciais deste texto não acredita que estamos falando da região com maior dinamismo econômico do Rio Grande do Sul, e uma das mais avançadas do país. Com índices de crescimento em patamares chineses, mas com carteira assinada e direitos sociais e liberdade mantidos, tanto Rio Grande, como São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e, de forma reflexa, Pelotas e Capão do Leão, nunca viram tamanha agregação de capital.

 

Bastou para isto um simples olhar, na época de um ex-metalúrgico, apoiada no conhecimento de infraestrutura de uma economista e ex-guerrilheira que realizou a façanha de levar luz elétrica a São José do Norte.

 

Veja bem até a chegada de Dilma Rousseff à Secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, no final da década de noventa, São José do Norte não tinha acesso contínuo a uma tecnologia do século XIX.

 

Mas estou falando da preocupação de Luís Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff com a construção dos pólos naval e eólico da Zona Sul do Rio Grande do Sul. Foi pelo pensamento perspicaz de Lula, e pela iniciativa de Dilma, nos idos de 2004, que a realidade desta região mudou completamente.

 

Hoje Rio Grande é a ponta de lança da produção de embarcações pesadas e de plataformas para o pré-sal. São José do Norte segue o mesmo caminho com a implantação de mais um grande estaleiro no antigo porto abandonado. E as duas cidades, somadas a Santa Vitória do Palmar, Arroio Grande e Pelotas são responsáveis por um dos maiores centros de produção de energia eólica da América Latina.

 

Os tempos das vacas magras estão sendo derrotados pelos números: dos 78 mil de postos de trabalhos diretos gerados no país apenas em estaleiros, mais de 24 mil estão em Rio Grande, e este número tende a mais do que duplicar com o estaleiro de São José do Norte e com o crescimento das atividades do Pré-sal. A previsão da criação de postos de trabalho nos estaleiros brasileiros, já para 2015, mantida a atual atividade do Governo Federal é ultrapassar 100 mil pessoas.

 

Lembro novamente: isto apenas empregos diretos em estaleiros! Não falo de toda a rede de atividades que cerca a cadeia produtiva!

 

Estima-se que toda a indústria naval entre Rio Grande, Pelotas, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Capão do Leão possua mais de 50 mil trabalhadores. Tal índice segue em constante crescimento, mesmo com a trava normal dos investimentos comum aos períodos eleitorais.

 

 

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Bacia de Pelotas: Fonte Agência Nacional do Petróleo

 

Agrega-se a isto o início das pesquisas para exploração da Bacia de Pelotas, comprovando a lenda contada pelos antigos de que existia uma grande fonte para a produção de petróleo nesta região. Não existe hoje como calcular o impacto positivo direto da produção da Bacia sobre a atividade econômica local, inclusive no que se refere ao ingresso de royalties.

 

Além disso, Pelotas, Rio Grande, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Capão do Leão são grandes pólos de construção civil. Estima-se, de uma forma muito pessimista, a produção de mais de 15.000 unidades habitacionais em Rio Grande apenas para 2015. Isso inclui as ações dos programas municipais do “Minha Casa, Minha Vida” e mais todo um acervo de projetos da iniciativa privada que já estão em fase de licenciamento ambiental e urbanístico.

 

Também há efeitos sobre a indústria calçadista do Vale dos Sinos, sobre a produção de vestuário apenas para cobrir a necessidade de uniformes para as atividades industriais, sobre a expansão das redes de serviços, sobre a ampliação dos investimentos em saneamento que devem quadruplicar a rede coletora de esgoto de Rio Grande até o início de 2015, dentre outras.

 

Também há uma expansão em outros campos da tecnologia seguindo a política de investimentos da PETROBRÁS, da ELETROBRÁS EÓLICA e do Pré-sal.

 

Há um ciclo virtuoso que reflete imediatamente na economia local, com o crescimento da massa salarial, com o aumento significativo do consumo, bem como na arrecadação fiscal dos Municípios. Só em 2013 os servidores de Rio Grande receberam um reajuste salarial de 9%, índice bem superior à média das cidades do Estado.

 

Mas todo esse cenário de sucesso está ameaçado pelo resultado do processo eleitoral. As propostas de privatização da PETROBRÁS e da ELETROBRÁS que acompanham os projetos de Marina Silva (PSB) e de Aécio Neves (PSDB) colocam em cheque o futuro da região.

 

Mais grave ainda, a proposta de paralização das obras do Pré-sal desenhada por Marina Silva pode resultar numa quebradeira geral da economia local, e no retorno ao lastimável cenário dos anos noventa.

 

É por isso que os movimentos sociais, empresários e sindicatos da região começam a se mobilizar em defesa do PRÉ-SAL, da ELETROBRÁS e da PETROBRÁS, e contra a agenda neoliberal de Aécio Neves e de Marina Silva.

 

Mais do que uma defesa do patrimônio público e da nossa soberania nacional, as cidades da região também estão na defesa do seu futuro.

 

Por isso, pegue a sua bandeira, faça o seu cartaz e vá para a rua. O PRÉ-SAL É A CHAVE DO NOSSO FUTURO, E ENTREGÁ-LO AO CAPITAL INTERNACIONAL PODE RESULTAR NUMA VERDADEIRA TRAGÉDIA!

 

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– Matéria também publicada no Jornal Sul 21 em 25 de setembro de 2014: http://www.sul21.com.br/jornal/rio-grande-do-sul-em-defesa-da-petrobras-e-do-pre-sal-por-sandro-ari-andrade-de-miranda/

 

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