A FALÊNCIA MORAL DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO E DO PSDB

aecio neves fhc

 

Foto de Fernando Henrique a Aécio Neves.

 

Autores: Sandro Ari Andrade de Miranda (advogado no Rio Grande do Sul e mestre em ciências sociais), e Luciana Leal de Miranda (advogada no Rio Grande do Sul).

 

Para falar sobre a falência moral do PSDB e da sua maior figura política, Fernando Henrique Cardoso, nós poderíamos empilhar páginas escrevendo sobre os escândalos de corrupção que cercam o partido do Príncipe dos Sociólogos, de Aécio Neves e de Geraldo Alckmin.

Poderíamos realizar uma retrospectiva histórica, começando pela venda da Vale do Rio Doce para a iniciativa privada por irrisórios R$ 3,6 bilhões, pelas suspeitas de compras de votos visando a emenda de reeleição, incluindo gravações nunca investigadas pelo “engavetador geral da república”, do uso do fundo previdenciário PREVI para apoiar a compra da Telebrás pelo banco Opportunity de Daniel Dantas, do caso Marka/FonteCidam, da “máfia dos sangue-sugas”, das origens do esquema de caixa 2 de Marcos Valério no PSDB mineiro de Eduardo Azeredo e Aécio Neves (o famoso mensalão), pelo  recente escândalo do Cartel do Metrô de São Paulo, por Daniel Dantas,  Daniel Dantas, Daniel Dantas e… de outros tantos outras afrontas à ética praticadas pelos tucanos que, curiosamente, são esquecidas pelos meios de comunicação e pelo Ministério Público, especialmente de Minas, São Paulo e Distrito Federal.

Mas isso seria cair na vala comum! Uma simples pesquisa na internet, ou na própria imprensa da direita, são suficientes para demonstrar que o PSDB e o DEM são partidos sem nenhuma moral para falar em corrupção.

Particularmente entendemos, como a Presidenta Dilma Rousseff, que corrupção deve ser combatida por três mecanismos institucionais: ampla transparência (e aí temos a Lei de Acesso à Informação, criada no Governo de Dilma), por participação da sociedade nas decisões públicas (e aí temos a Política Nacional de Participação Social, também criada no governo de Dilma), e pela punição aos envolvidos, doa a quem doer!

Nenhuma destas medidas combina com a tentativa de Alckmin e Serra (ambos do PSDB paulistano), de jogar para debaixo do tapete o caso do escândalo Alstom/Siemens. Enquanto Dilma colocou a Polícia Federal para investigar as denúncias de possível corrupção em estatais, Alckmin preferiu processar o delatar do esquema de cartel. São formas diferentes de ver a coisa pública, que por si só derrubam o discurso tucano.

Mais do que isso, quando Dilma apresentou a Política Nacional de Participação Social, somente encontrou apoio no PT, no PSOL, no PCdoB e setores do PMDB. Todos os parlamentares listados extraoficialmente pela imprensa no caso Paulo Roberto de Souza, além do DEM e do PSDB, pularam contra o projeto, demonstrando a sua ojeriza ao controle social direto das políticas públicas.

Ocorre que a falência moral do PSDB é demonstrada em práticas que vão muito mais fundo ao conceito de um mínimo de moralidade, como a destilação sem escrúpulos de preconceitos numa mera entrevista realizada por sua mais importante figura pública, Fernando Henrique Cardoso, para os meios de comunicação.

O ex-Presidente da República passou anônimo durante boa parte das eleições, escondido por seus apadrinhados que temiam o impacto negativo que a simples exposição da sua figura na mídia poderia causar às campanhas.

Para quem tem memória limitada pelos editoriais da Globo, da Veja e da Folha, a primeira manifestação de Aécio Neves foi a de que iria resgatar o legado político do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Pois o legado político de FHC, somado à origem patrimonialista do aeroporto de Cláudio, forçaram o misto de político com playboy, Aécio Neves, a ficar escondido durante boa parte da campanha eleitoral, utilizando a tragédia de Eduardo Campos e o confuso programa de Marina Silva como escudo.

Depois de passar algum tempo no ostracismo, Aécio ressurgiu com slogans dignos de um membro da SS Nazista, pregando a redução da idade para imputabilidade penal (pedimos vênia ao Senador para informar que o conceito de maioridade é do direito civil, e não do direito penal), ofendendo os excluídos que recebem o Bolsa Família, e pregando a implantação de um estado polícia para combater a violência urbana.

Não causa estranheza que Aécio Neves tenha sido acompanhado pelos extratos mais conservadores, racistas e xenófobos da classe média paulistana e do Distrito Federal, dos grupos mais reacionários de latifundiários do Centro-oeste, derrubando, assim, Marina Silva. O resto do serviço sujo foi realizado pela mídia conservadora e sua complacência para com a falta de competência política e com a corrupção que cerca os tucanos.

Mas a página moralmente mais ofensiva à inteligência das pessoas, e exemplo típico da mentalidade reacionária dos tucanos, foi pintada por Fernando Henrique Cardoso, principal padrinho de Aécio Neves, na última segunda-feira, dia 06 de outubro de 2014, a Josias de Souza da Folha de São Paulo.

De acordo com o FHC, o Partido dos Trabalhadores somente foi votado em locais onde a povo é pobre e/ou desinformado, o que classificou como “grotões”:

Essa caminhada do PT dos centros urbanos para os grotões é um sinal preocupante do ponto de vista do PT porque é um sinal de perda de seiva ele estar apoiado em setores da sociedade que são, sobretudo, menos informados” [FHC, SIC]

Com esse discurso absolutamente ofensivo à dignidade dos eleitores de Dilma, Fernando Henrique apenas reforça o pensamento dos grupos mais conservadores da classe média paulistana, que passaram o mesmo dia 06 de outubro ofendendo pobres, negros, gays e nordestinos.

Os absurdos preferidos pelos “bem-informados paulistanos”, tomando por base o pensamento de FHC, chegaram às raias de um processo criminal, quando uma eleitora fanática por Aécio chamou Marina Silva de “preta suja”. Algo simplesmente lamentável!

Já realizamos diversas críticas políticas ao programa de Marina, e à sua sedução pelo capital financeiro, mas é estarrecedor observar que pessoas que se dizem civilizadas e bem informadas ofendam uma pessoa pela sua etnia ou cor da pele.

Sobre Fernando Henrique Cardoso, que já chamou aposentados de vagabundos, durante a orgia privatista da década de noventa, é muito triste ver um intelectual que já foi respeitado pelo seu passado acadêmico, assumir a condição de operador do serviço sujo de Aécio Neves.

Na prática, FHC e o PSDB apenas buscam forças na intolerância política, instrumento que foi a principal arma do candidato tucano para chegar ao 2º turno.

Pior do que isto, a maior liderança do PSDB reforça um velho sonho da elite paulistana: o de separar São Paulo do resto do país, na medida em que Dilma ganhou não apenas no Nordeste, mas em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, no Ceará e na Bahia, regiões onde estão diversos dos principais centros urbanos e econômicos nacionais.

O PSDB utiliza FHC para reforçar o discurso da mídia conservadora, que afirmou ser o voto em Dilma um voto pelo estômago. Além disso, o ex-sociólogo fecha os olhos para a crescente onda fascista e neonazista cada vez mais presente na grande São Paulo.

Para uma pessoa com o capital intelectual de Fernando Henrique Cardoso, a única tarefa correta seria combater a onda fascista, ao contrário de reforçá-la, como o PSDB vem fazendo.

Enquanto o mundo luta para apagar a mancha do ódio e do racismo, o PSDB de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso tenta utilizar estas práticas como ferramentas políticas para derrubar o governo de Dilma e do Partido dos Trabalhadores.

Com essa estratégia, Aécio e o PSDB prestam um DESSERVIÇO à Democracia, retomam as bandeiras mais trágicas da direita, e demonstram que a sua falência moral é muito maior do que a dos escândalos de corrupção. Ela vai ao íntimo do vale tudo por voto, e joga por terra o último respiro de dignidade dos tucanos.

 

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2 comentários

  1. É interessante observar que esse mesmo MP, que investiga apenas os deslizes de pessoas ligadas ao Governo Dilma, aprova uma indignidade chamada adicional de “moradia”, acompanhando a mesma desfaçatez dos juízes federais, que abandonaram a luta justa por reajuste salarial e aceitaram a esmola concedida pelo Ministro Fux, o mesmo que condenou os mensaleiros, e agora concede algo tão indigno, que beira a corrupção, ou seja, aceitar um dinheiro sujo, embora duvidosamente legal, ainda mais se considerarmos o salário inicial de um juiz federal que passa R$ 20.000,00. Curioso não, que a grande mídia nacional, o assim chamado PIG, não questionou essa indignidade dos Juízes federais e do Ministério Público Federal. “Data vênia!”

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