SÃO PAULO E O COMBATE À DITADURA DOS CARROS

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Foto: Prefeito de São Paulo em ciclovia (Fonte: vadebike.org)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado no Rio Grande do Sul, mestre em ciências sociais.

 

São Paulo sempre foi conhecida, pelo menos desde meados da década de 50 do século passado, por seus quilométricos congestionamentos. Grande centro econômico do país, também é o berço das fábricas de automóveis, e a maior concentração urbana da América do Sul.
Mas o que sempre foi um símbolo negativo da cidade começa a perder espaço no Governo de Fernando Haddad (PT), através da ampliação de espaços para as ciclovias. Trata-se de um inciativa importante e necessária, e que deve contribuir, de forma significativa, para a redução das emissões atmosféricas tão danosas ao nosso clima.
A meta do atual prefeito é elevar o número de espaços para a circulação cicloviária a mais de 400 km até o final de 2015. Trata-se de um número pequeno frente aos 750 Km de Berlim, ou aos 675 Km de Nova York, mas o suficiente para transformar a capital paulista na cidade com mais ciclovias da América Latina, superando Bogotá, na Colômbia.
Mas a retomada do espaço público por outras formas de transporte diferente dos poluentes motores dos carros vêm gerando tumultos e protestos de determinados setores da sociedade, especialmente nas camadas de mais alta renda. Chegaram a ser observados protestos patéticos em regiões como os Jardins, fruto da falta de compreensão de que a cidade é um bem coletivo.
Ocorre que os carros não estão perdendo espaço apenas para as bicicletas, mas para as próprias faixas de circulação de ônibus, o que demonstra a preocupação da atual administração com a modernização do modelo local de mobilidade urbana.
Se no passado a cidade se orgulhava de faraônicos viadutos, voltados à concepção egoísta e privatista que fomentava o uso de carros, hoje São Paulo começa a dar um exemplo diferente, demonstrado que o espaço da cidade pode, e deve, ser apropriado pela coletividade.
O uso de ciclovias não tem apenas impactos positivos sobre o ambiente, mas para outros campos da vida, posto que o uso deste tipo de transporte também contribui para uma melhora das condições de saúde e na qualidade de vida dos seus usuários. Também é uma medida mais econômica para o Estado, pois o custo de manutenção das vias é bem menor do que a construção de estruturas destinadas aos carros.
Todavia, também será preciso avançar em outros campos. As empresas devem oferecer condições para que os seus profissionais possam trocar de roupa e guardar os novos veículos. Será necessário integrar os meios de transporte público, abrindo espaço para a condução das bicicletas.
Espera-se que a nova cultura de mobilidade proposta por Haddad se espalhe por todo o país, permitindo uma ruptura com o modelo que vê na fumaça dos veículos automotores um sinal de progresso.
Por fim, resta destacar que esta política de incentivo ao transporte coletivo e ao uso de veículos não poluentes poderia estar bem mais desenvolvida, através da ampliação das redes de metrô. Contudo, a responsabilidade pelo metrô é do Governo do Estado, gerido pelo tucano Geraldo Alckmin (PSDB), que é orientado pela mentalidade privatista do capitalismo neoliberal, tornado a tarefa de expansão da rede metroviária numa ação bem mais complicada e demorada.

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