O DIA DO BIOMA PAMPA: 17 de dezembro é data para marcar a valorização de um dos mais importantes patrimônios ambientais e culturais do Rio Grande do Sul.

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Foto: Capivaras no Taim, disponível na Rede Mundial de Computadores (internet).

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado e mestre em ciências sociais.

 

Em 17 de dezembro comemoramos o dia do Bioma Pampa, data escolhida em homenagem ao nascimento do ambientalista gaúcho José Lutzenberger, um dos pioneiros na defesa do tema no país.

No Brasil o Pampa possui localização exclusiva na região meridional do Rio Grande do Sul, ocupando uma área de 178.243 km², 2,07% do território nacional, ou 63% do território do Estado. Todavia, possui larga extensão territorial sobre a Argentina, em todo o Uruguai, e em parte do Chaco paraguaio.

Diferentemente da imagem histórica e falsamente construída, o Bioma não é formado exclusivamente por campos. Ao contrário, apenas uma pequena parte do seu território possui pastagens nativas como vegetação característica.

Dos vários ecossistemas que compõem o Pampa, também merecem destaque as matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, afloramentos rochosos e, especialmente, os banhados, uma dos mais ricos acervos em biodiversidade do país.

O território do Pampa apresenta uma série de espécies em processos de extinção de extremo valor ecológico, como o veado-campeiro, o puma, o caboclinho-de-barriga-verde, os tuco-tucos, o picapauzinho-chorão e diversos anfíbios. Com certeza, e como sempre, os últimos são os mais afetados tanto pela destruição dos ecossistemas nativos, como pelas mudanças climáticas. Não podemos esquecer das espécies vegetais, como a coronilha e o xaxim.

Além da riqueza biótica, o Pampa se notabiliza por paisagens notáveis, como complexos rochosos da formação das Guaritas, os banhados da região do Canal São Gonçalo, os campos de dunas e de marismas na Península de Mostardas e das margens da Laguna dos Patos. Não podemos esquecer que muitas marcas da paisagem regional estão grafadas na literatura, como as coronilhas de João Simões Lopes Neto, e as sombras nas figueiras de Érico Veríssimo.

O Bioma Pampa possui um riquíssimo manancial hídrico subterrâneo e superficial, compreendendo a maior parte do Aquífero Guarani, a Laguna dos Patos, a Lagoa Mirim, a Lagoa Mangueira e o Rio Uruguai, dentre outros.

O Pampa também é rico no seu patrimônio imaterial, construído pelas comunidades tradicionais, como os guaranis, os quilombolas, os pescadores, os açorianos, os agricultores pomeranos, além do já conhecido gaúcho, cuja imagem tem mudado muito desde as antigas composições mestiças de Saint-Hilaire, até o arquétipo do laçador.

Contam para este acervo imaterial a produção cultural urbana, de cidades como Porto Alegre e Pelotas, que centros de importantes e escolas de roque popular e do samba.

Hoje, a maior parte da população da região é residente no ambiente urbano que, por sua vez, também caracteriza ecossistemas próprios, com características específicas, referenciais históricos e arqueológicos.

Apesar de toda a sua riqueza, importância ecológica e estratégica, o Bioma Pampa vem sofrendo com uma série de problemas ambientais, como a já citada extinção de espécies, a poluição atmosférica, a hídrica, a emissão de gases estufa pela criação extensiva do gado, etc. Ainda existem problemas derivados da ação de espécies invasoras, como o famoso capim annoni, espécie de gramínea africana introduzida na década de 50 do século passado e que hoje, em estimativas otimistas, atinge 20% do território local. Existe o exemplo dos javalis, introduzidos em Herval e Bagé, e que após fugirem dos locais de criações e cada vez mais causam conflito com as espécies nativas pela ausência de predadores naturais.

Sobre o Pampa repousa um dos maiores buracos na Camada de Ozônio da Terra, aumentando os riscos para a saúde humana e para as demais espécies animais e vegetais, derivados da exposição contínua à radiação.

Portanto, temos grandes tarefas para a proteção do Pampa, tanto na definição de uma agenda regional participativa de desenvolvimento, como no fortalecimento de atividades econômicas menos agressivas.

O certo, é que o dia 17 de dezembro é um dia fundamental para marcar a importância de proteção de um dos mais importantes patrimônios ambientais do Rio Grande do Sul e que não pode ser esquecido.

Talvez possamos retomar a construção da Agenda 21 do Bioma Pampa, velha bandeira do movimento ecologista, colocando o debate sobre o comprometimento social e a mudança comportamental no meio da vida dos cidadãos e cidadãs habitantes da região.

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