DESEJOS PARA 2015

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Foto: Borboleta no Horto do Cassino, em Rio Grande/RS (Sandro Miranda)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

Hoje é o último dia do ano de 2014 segundo o Calendário Gregoriano, que domina a cultura ocidental. Obviamente, estamos diante de um marco social, pois o tempo da natureza é medido em escalas diferentes, soberanas, que não se submetem ao controle dos relógios.
Mas como é um dia de festa, e um dia de projeção do futuro, proponho apresentar um conjunto de desejos para o novo ano. Tratam-se de desejos pessoais, que podem ser diferentes para cada cidadão ou cidadã.
Como o artigo é publico, limitarei os meus desejos a questões de natureza social, de natureza coletiva e, em alguns casos, com certo grau de utopia.
1. Como primeiro pedido para 2015, desejo que a Presidenta Dilma Rousseff realize um ótimo governo, e que o sucesso dessa nova empreitada não seja prejudicado pelo arranjo da governabilidade, nem pelos interesses privados de determinados grupos sociais. Em 12 anos de governo petista, o Brasil avançou de forma significativa no processo de melhoria das condições de trabalho, renda e consumo. Para o próximo mandato, está no momento de avançar sobre a qualidade de vida, e temas como a defesa dos direitos fundamentais, proteção da natureza, qualidade dos serviços públicos e o fortalecimento das relações com os movimentos sociais, assuntos que precisam ocupar um grande espaço na Agenda Governista.
2. Outro desejo importante, é que as luzes de 2015 iluminem o Parlamento, e que o Brasil consiga efetivar a Reforma Política. Está na hora do financiamento público de campanhas e do voto em lista, medidas estas que são adotadas na grande maioria das Democracias Avançadas, e com sucesso. Para quem defende uma agenda democrática e ecológica, não há como aceitar a permanência do modelo insustentável e personalista do voto em lista aberta e do financiamento privado, que apenas oneram os custos de campanha, e prejudicam sobremaneira o interesse público.
3. 2015 também poderia ser o ano da Reforma Tributária. O nosso modelo fiscal está superado no tempo, e ainda se alicerça sobre trabalho e consumo, contrariando o que acontece em outros regimes capitalistas, inclusive a República Bolivariana dos Estados Unidos da América, onde a tributação é realizada sobre o capital e sobre a renda. Por maior justiça social, precisamos da construção de um sistema tributário progressivo.
4. Também desejo a implementação de um sistema de controle social da mídia. E aqui um destaque importante aos demagogos: essa reforma não pode atacar princípios da liberdade de imprensa como a liberdade editorial, de opinião e o sigilo da fonte. Contudo, é fundamental que, notadamente as concessões públicas, sofram um controle social aos sistemas de financiamentos. As únicas concessões onde a população não tem nenhum acesso às fontes de financiamento são as de televisão é rádio, e isto é absolutamente antidemocrático. No mesmo caminho, é importante abrir um maior espaço para a produção cultural independente e nacional, ampliando o mercado de trabalho neste campo.
5. O ano de 2015 também precisa ser marcado pela tomada de uma consciência ecológica das pessoas sobre as mudanças climáticas. Não tenho dúvidas do impacto da ação humana sobre o clima, mas ainda, como eterno otimista, acredito da reversibilidade do quadro. Todavia, é importante que cada pessoa, cada cidadão e cidadã tenha maior cuidado com a natureza, com ações simples, como não descartar resíduos nos rios, trocar o veículo pessoal pelo transporte coletivo, exigir maior oferta de produtos reciclados, dentre outros.
6. Que 2015 também seja um ano de tomada de consciência dos governantes sobre as mudanças do clima. Não adianta realizar reuniões e encontros internacionais periódicos sem ações concretas. Nem adianta os Estados Unidos afirmarem que apoiarão fundos de combate à pobreza e à degradação ambiental, e depois tentarem a imposição de uma agenda neoimperialista. Cada governo, do nacional ao local, deve ser responsável pela oferta de oportunidades para enfrentar as mudanças climáticas e para a transformação de consciências.
7. Desejo que 2015 seja o ano da participação social no Brasil. Não há Democracia sem participação social, e o nosso país não pode viver dos preconceitos de elites embrenhadas no poder que atacam a Democracia Participativa.
8. Desejo que o Supremo Tribunal Federal abra as gavetas e julgue a Satiagraha e a “Castelos de Areia”. Está na hora dos corruptores começarem a visitar a cadeia, ao contrário de circularem livremente no meio social. Que a mídia monopolista pare de atacar a Petrobrás, que é um patrimônio nacional, ou de endeusar criminosos, como os denunciantes da Lava-Jato. Está na hora de as pessoas que dilapidam o patrimônio público há mais de 500 anos sejam punidas, por isso desejo a punição dos corruptores, isso não significa impunidade aos demais, mas a punição daqueles que sempre são beneficiados pela ineficiência do judiciário.
9. Sonho que 2015 seja um ano de paz. Que a cultura da paz e da não violência disseminada em todos os cantos do planeta. Defender a paz, como fazia Gandhi, não significa ser omisso, ao contrário, tem como premissa o comprometimento político e social. Logo, não podemos apenas querer a paz, devemos fazer a paz, lutar por ela, reivindicá-la, e construí-la no nosso dia à dia.
10. Portanto, desejo, também, que 2015 seja um ano de tolerância. Um ano de respeito às diferenças culturais, religiosas, étnicas, de orientação sexual, raciais, sem nenhuma forma de discriminação. Assim como não existe paz sem igualdade substancial, também não existe paz sem tolerância. A tolerância está no centro da Democracia, sendo parte fundamental da sua essência.
11. Que em 2015 seja um ano de combate ao especismo. Não se admite num momento tão avançado da nossa sociedade, que a humanidade ainda continue desconsiderando os direitos e a dignidade das outras espécies. Em 2014 observamos momentos de absoluta estupidez, com o envenenamento criminoso de animais e com a caça indiscriminada de espécies em extinção. Assim como Darwin e Da Vinci, acredito que o ser humano deve aprender com as outras espécies e a respeitá-las como parte integrante da natureza e como detentoras de direitos fundamentais.
12. Que 2015 seja um ano de fortalecimento da nossa autoestima. No ano que passou fomos bombardeados pela mídia com a mensagem de que não somos capazes, que a Copa seria uma vergonha, e de que o Brasil estaria em permanente crise. Nós demos a resposta em silêncio, e mostramos que somos, sim, capazes, não apenas de realizar um evento mundial, mas de muito, muito mais. Portanto, vamos por na rua o nosso orgulho, e mostrar a força do nosso país contra os demagogos da mídia monopolista.
13. E por fim, para dar sorte, o meu 13º desejo é de que todos alcancem a felicidade. Cada pessoa tem uma forma de ver a vida. Eu, particularmente, sinto felicidade com a companhia da minha esposa, da minha família, do meu trabalho, dos meus amigos, e da oportunidade de viver cada dia de forma diferente. Espero que todos encontrem a sua forma de felicidade, e que tenham o melhor em 2015!
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