FRACASSO DA MARCHA DOS “COXINHAS” EXPÕE PERDA DE CREDIBILIDADE DA REDE GLOBO!

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Foto: Imagem da Globonews onde o canal afirma atesta a presença de “15.000 pessoas” no local (depois o número foi inflado para 100.000), mesmo que a imagem comprove o contrário.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Este artigo não começou a ser construído hoje. Fiz uma pequena troca de ideias com amigos de todo o país, e uma investigação sobre os fatos observados no movimento do dia 15 de março, conhecido como “Marcha dos Coxinhas”. Data que, aliás, foi qualificado como “Novo Dia da Mentira” no excelente artigo de Eduardo Nunorama no sitio Forofafá da Revista Carta Capital, dadas as enormes diferenças entre o discurso genérico e as reais pretensões dos participantes.

Razões para classificar a referida data como dia da mentira não faltam, desde a classificação de protestos carregados por pedidos de retorno da ditadura militar como “defesa da Democracia”, até a afirmativa da Globo e da PM de São Paulo, comandada por Geraldo Alckmin (PSDB) de que haviam 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista (a Globonews falou em absurdos 1,5 milhão), quando esse número, concretamente, não passava de 210 mil.

Os relatos sobre as movimentações vão do trágico ao cômico! De construtivo, nada! Apenas mais uma demonstração obtusa do reacionarismo de alguns setores conservadores da elite brasileira. Nas faixas um festival de frases vazias e de palavras de baixo calão comprovando que este segmento da sociedade ainda não aprendeu a conviver com a condição de oposição, ou com o democrático espaço das ruas.

Se no centro financeiro do país, a Avenida Paulista, observamos um número de manifestantes em torno da centena de milhares de pessoas, índice insignificante numa região metropolitana com mais de 20 milhões de habitantes, no resto do país os números reais de manifestantes foram esquálidos, e nem a insistência manipulativa da Rede Globo e das suas seguidoras conseguiu inflar os resultados sem sofrer desmentido pelas próprias imagens, situação que foi reconhecida pela imprensa internacional.

Outro aspecto evidente nas manifestações dos direitistas no dia 15 foi o perfil dos manifestantes: meia idade, branco e de boa renda. Em Salvador, cidade conhecida pela sua poderosa raiz africana, tivemos um encontro de meia dúzia de pessoas, que pareciam ter vindo de Estocolmo, capital da Suécia.

No Rio de Janeiro, por exemplo, recebi de um amigo que resolveu visitar a tradicional Feira Hip de Ipanema, que ocorre todos os Domingos na Capital Carioca, um relato interessante sobre a movimentação na cidade.  Para quem não conhece o Rio de Janeiro, é muito fácil visitar vários pontos turísticos da cidade de metrô, que recebeu uma grande expansão nos Governos de Lula e Dilma, podendo sair do Maracanã, por exemplo, até as praias Copacabana e Ipanema.

Pois, de acordo com o meu “informante”, a manifestação não teve nenhum impacto efetivo sobre a vida na cidade. Ao descer de ônibus na Cinelândia, local de históricas manifestações políticas pela Democracia e pelas Diretas, não verificou nenhuma, absolutamente nenhuma, movimentação! Quando entrou no metrô, nada, absolutamente nada, de manifestantes. A situação mudou um pouco no Catete, no Flamengo e em Botafogo, bairros de classe média alta, quando um grupo de pessoas ingressaram vestidas de verde ou de amarelo no trem, todas brancas, com roupas de grifes famosas ou com a caríssima camisa da CBF, saída do armário depois do 7 x 1.

Uma moça loura, um pouco afoita, comentou com seus dois acompanhantes sobre o “calvário” que enfrentou na véspera no cabeleireiro e sobre as mensagens de apoio que recebeu na véspera do seu pai, que estava no Peru. Durante a viagem, perto do meio dia (a manifestação estava marcada para as 10 h), ligavam insistentemente em seus “iphones” para outros amigos, que ainda dormiam, juntarem-se a eles Copacabana.

Pois a trupe patética seguiu sua rápida viagem até a estação da praia famosa, onde desceu com outras pessoas de vestidas de amarelo, todas com o mesmo fenótipo já narrado no parágrafo anterior.  E o metrô seguiu normalmente até Ipanema, onde não havia qualquer referência à manifestação…

O movimento de 15 de março, apesar da sua imensa cobertura midiática, esteve muito longe de qualquer mobilização social relevante para a história do país. A cobertura da imprensa demonstrou o caráter “burlesco” do “evento”, com fotografias de artistas e subcelebridades exibindo maquiagens e vestimentas confeccionadas exatamente para o dia.

Dado o peso jogado pela direita golpista, especialmente pela Rede Globo, foi um imenso fracasso! Não apresentou nenhuma variável política relevante, estando muito distante da realidade dos protestos de meados de 2013, quando parte das movimentações eram hegemonizadas por grupos de esquerda, com algumas pautas relevantes, como o transporte urbano e o ensino público.

O grupo que foi para a rua em 15 de março somente levantou a bandeira do golpismo e do antipetismo. Quando tentou se legitimar na crítica à corrupção, sequer citou o nome dos principais envolvidos: Eduardo Cunha (PMDB), Renan Calheiros (PMDB), Anastasia (PSDB), e outros menos votados, incluindo 36 parlamentares ligados ao PP. Pior do que isto, 62% afirmaram ter votado em Aécio Neves, nome presente na lista de Furnas e ainda não afastado da lista da Lava a Jato.

O discurso mais forte da oposição continua sendo montado pela mídia, que tentou manipular dados e mostrar uma força que não tem mais através da cobertura insistente, desde o início da manhã, das ações de 15 de março.

O curioso é que a Globo amargou um dos mais baixos índices de audiência da história para um Domingo. O que se pode concluir é que estamos diante de uma crescente perda de credibilidade da mídia, e que os descontentes com o governo não vestem a roupa do PSDB, da direta ou do Golpismo, muito menos batem panela nos apartamentos chiques de Perdizes ou do Leblon.

Aqueles que clamam por mudanças esperam que estas ocorram em outras esferas, com a Reforma Política, a Reforma da Mídia e a Tributação das Grandes Fortunas. Portanto, não é momento para a esquerda se sentir pressionada, ao contrário, o Governo deve sim manter a política de combate à corrupção, mas deve ir para a Rua debater com aqueles que clamam por mais igualdade e mais Democracia. Estes não foram para as vergonhas manifestações de 15 de março, e esperam que a onda de transformações iniciada em 2003 seja ampliada.

 

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