QUANDO MOINHOS SE TORNAM DRAGÕES!

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Foto: Dom Quixote, de Pablo Picasso.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Mas nós, os verdadeiros cavaleiros andantes, ao sol, ao frio, de noite ou de dia, não somente conhecemos os inimigos em pinturas, mas em suas próprias pessoas, e em todo o transe e ocasião os combatemos”.
(Dom Quixote, Miguel de Cervantes)

 

Não é preciso dizer que o título deste texto está baseado na maravilhosa obra de Miguel de Cervantes, Dom Quixote, na qual o mestre espanhol utilizou um personagem romântico e sonhador como uma metáfora para criticar a sociedade na qual vivia.

Infelizmente, alguns conservadores literários, avessos à diferença e às mudanças criaram uma palavra inadequada para criticar aqueles que buscam transformar sonhos em realidades, “quixotesco”, como se fosse o personagem de Cervantes o errado. Mas afinal de contas, Dom Quixote era louco ou o único lúcido no seu mundo? Se observarmos os seus ensinamentos ao final escudeiro, Sancho, veremos a grandeza de suas frases, a profundidade dos seus sonhos, e que aquele triste cavaleiro, para muitos, patético, tinha o poder de enxergar a verdade por trás dos seus devaneios.

Quixote, como muitos sonhadores, queria mudar o mundo. Empunhava a sua lança com honra, cavalgava em seu cavalo com brioso orgulho, e era fiel aos seus princípios, companheiros e amores…

Relembrar Dom Quixote, num momento em que sonhos e utopias são apagados por uma sociedade cada vez mais materialista e distante de desejos de transformação, mesmo quando a violência das mudanças climáticas e uma severa tragédia da agenda econômica neoliberal batem à nossa porta todos os dias, é uma busca de aprendizado, de crescimento, de valorização daquilo que a humanidade apresenta de melhor, que é a sua capacidade de sonhar. Afinal, “mudar o mundo, meu amigo Sancho, não é loucura, não é utopia, é justiça”, como diria o cavaleiro de Cervantes.

Quando o pragmatismo doentio substitui a nossa capacidade de indignação contra a injustiça, perdemos a nossa essência de humanidade! Quando deixamos de valorizar o amor, e passamos a semear o ódio, destruímos todos os laços sociais que nos vinculam à possibilidade de um mundo melhor! Quando a solidariedade perde espaço para a competição, semeamos a discórdia e nossa destruição!

É por isso, que somente “encontro repouso na batalha”, e não vejo sentido em viver num mundo sem princípios, sem sonhos, de utopias… prefiro a magia que inebria a alma dos românticos à dureza dos corações esvaziados de emoções. Vejo o poder apenas como instrumento útil à transformação igualitária, jamais como um fim em si mesmo!

Pois como diria Dom Quixote: “quem perde seus bens perde muito; quem perde um amigo perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo”!

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