DIALOGANDO COM O TEMPO

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Foto: ampulheta em cidade europeia (fonte: rede mundial de computadores)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Estamos todos submetidos ao poder da ampulheta do tempo.

Nossas vidas são como a areia que ultrapassa por seus compartimentos cônicos,

onde até mesmo as realizações precisam de licença para serem libertadas.

 

As areias que circulam por entre os domínios do tempo estão aceleradas!

Cada pedaço do mundo que ajudamos a destruir serve-lhe de combustível:

a destruição da natureza, a pregação do ódio, e tantas condutas mesquinhas apenas aceleram o nosso fim…

 

O tempo, por longos períodos, foi nosso aliado.

Era a fonte de orientação da reprodução da vida, guia para os nossos passos,

mas quando tentamos dominá-lo, acabamos virando escravos.

 

Os relógios da racionalidade mecânica se impuseram sobre a sensibilidade.

A razão deixou de ser fonte iluminadora para endurecer grilhões.

Passamos a ser medidos pela lógica do cálculo, e não por nossas qualidades internas…

 

Contudo, toda a forma de dominação e escravização pode ser superada.

Carrego dentro de mim as armas para romper com todas as formas de dominação,

e retomar o tempo como aliado, e não como máquina opressora.

 

Caminho dias e noites entre os desertos do mundo,

buscando aqueles que acreditam que é possível aliar-se ao tempo,

derrubar o ódio e conservar a natureza…

 

Para auxiliar nessa jornada, é preciso romper com paradigmas.

Temos que nos livrar da roupagem do preconceito, descartar pensamentos destrutivos,

e reconhecer os outros indivíduos como iguais.

 

Também precisamos conversar com as plantas, dialogar com o vento,

apreciar o grito silencioso das abelhas e borboletas, e respeitar os outros animais…

Precisamos afastar as viseiras dos dogmas e observar a grandeza do mundo.

 

Podemos reduzir a velocidade da ampulheta e mergulhar entre as suas areias sem medo.

Para tanto, precisamos ouvir as vozes que nos cercam,

e sentir a presença dos sonhos perdidos…

 

Para ser meu companheiro nesta luta transformadora e no diálogo com o tempo

não é preciso riquezas, nem ter comportamento submetido à moral dominante,

antes é preciso acreditar na vida e abrir o coração às diferenças…

 

Não sou profeta, nem mestre, nem guia… sou um igual!

Minha força não reside nas palavras, mas nos sentimentos,

e não proponho o abandono das vidas, mas a sua valorização.

 

Por muitos, sou condenado pela minha preocupação com o mundo material.

Mas questiono, qual é o bom espírito que proclama a destruição do Planeta,

o desrespeito aos indivíduos e às espécies, e se permite continuar em silêncio?

 

Acredito que a esperança, os sonhos e a solidariedade são nossos maiores aliados,

e que cada deve dar a sua contribuição para transformar o mundo,

pois é somente transformando conceitos que poderemos firmar novamente a aliança com o tempo e valorizar a vida!

 

 

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