GOLPE DE ESTADO PODE RESULTAR EM QUEBRA DA ECONOMIA

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Fotos – composição em sentido horário: Temer e Cunha, manchete sobre o Governo de FHC na década de 90, Plataforma P-36 que afundou no Governo de FHC, e ação recente da polícia de choque de São Paulo contra manifestações sociais.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

A ruptura institucional por meio de ação ilegítima de um golpe de estado fabricado no congresso pode ter repercussões terríveis na economia brasileira, falência de determinados setores e  acarretar uma tragédia social sem precedentes.

Esqueçam a crise atual e o mal-estar da péssima passagem do Ministro Levy no comando da Fazenda. O discurso vazado do golpista Michel Temer aponta para proposta de imposição de um quadro, pós-golpe, muito próximo ao da década de noventa, quando o país sucumbiu numa onda de quebradeira de empresas e na pobreza extrema.

Quando falamos em quadro econômico devemos olhar além das nossas fronteiras e observar o cenário internacional. Na era de FHC e do tucanato o Brasil afundou num mercado selvagem, dominado pelo pensamento corporativo financeiro e pela destruição dos instrumentos de proteção da indústria nacional. Não podemos esquecer que, na citada década de 90, a Petrobrás ficou combalida pela falta de investimentos e de uma política energética, inclusive com o famoso “apagão” que afetou várias cidades, e na crise da dívida dos Municípios e dos Estados.

O ensaio mais próximo da proposta defendida por Temer pode ser identificado no Rio Grande do Sul, onde o Governador Sartori, também do PMDB, está promovendo um caos nos serviços de saúde, segurança e educação, o parcelamento sem fim dos vencimentos dos servidores, uma redução da capacidade de consumo da população com uma tarifaço irresponsável e uma consequente retração dos índices econômicos.

Para fazer um comparativo temporal, em 2014, no Governo de Tarso Genro (PT), o Rio Grande do Sul tinha o 2º melhor desempenho econômico nacional, mantinha a folha salarial em dia e, além disso, teve um crescimento médio da renda dos trabalhadores bem acima do restante do país.

Já no primeiro dia de 2015, com a posse de Sartori, foi instituída uma agenda de terrorismo econômico na mídia, anunciando-se que o Estado não teria como pagar contratos e a folha salarial em dia. Nenhuma justificativa razoável foi apresentada, pois o problema junto à União foi criado no Governo Britto, na década de noventa, mas não impediu os resultados positivos da economia no Governo de Tarso (PT-RS).

Michel Temer sinaliza que, caso seja brindado com uma eventual vitória golpista no Parlamento, deve reabrir o segmento do petróleo e do gás para o mercado privado. Leia-se em “letras miúdas”: privatização da Petrobrás, fim do sistema de partilha e desnacionalização do processo produtivo.

Tal postura já havia ficado manifesta em ações anteriores, como o movimento articulado com José Serra (PSDB-SP) e os partidos de oposição para tentar derrubar o monopólio da Petrobrás na exploração do Pré-sal.

Assim, se o golpe sair vencedor do Parlamento, não tenham dúvidas que a nacionalização da produção dos insumos do petróleo e do gás vai ser abandonada e, novamente, vamos ver o Brasil comprando plataformas exclusivamente da China, dos “Tigres Asiáticos” e dos Estados Unidos.

Trata-se de uma ruptura evidente com as medidas que repercutiram no período virtuoso da economia posterior à acessão de Lula (PT) ao poder, que foi mantido durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff e teve uma refração com a redução da capacidade de consumo de países como a China e a Índia.

Não sejam ingênuos, o cenário econômico poderia ser bem pior se não fossem as ações adotadas pelos governos petistas de 2003 a 2014 para garantir o fortalecimento do consumo interno com a política energética, com o PAC, o incentivo ao consumo de bens duráveis e o “Minha Casa, Minha Vida”.

É óbvio que o terrorismo adotado por alguns Governadores, como Sartori (PMDB-RS), Alckmin (PSDB-SP) e Beto Richa (PSDB-PR) tiveram uma repercussão na queda da nossa atividade econômica pós-2015. O Governo do Estado de São Paulo trouxe junto a falta de investimento da SABESP em saneamento e a crise no abastecimento de água. No Paraná e o Rio Grande do Sul, os “tarifaços” dos Governadores e a redução dos investimentos públicos repercutiram em retrocesso econômico.

Portanto, uma vitória do Golpe de Estado proposto pelos segmentos conservadores, comandados por Michel Temer (PMDB-SP), Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pelo PSDB, pelo DEM e pelos grupos de oposição devem produzir um cenário de ruínas, tanto no que se fala na estabilidade política, como na economia. Pessoas que hoje possuem trabalho conduzido pela indústria do petróleo e do gás e pela construção civil devem ser as primeiras vítimas e, na sequência, teríamos uma reação em cadeia em outros segmentos. Aliás, tudo isto deve ser agregado ao vilipêndio às liberdades democráticas, uma provável caçada aos grupos de resistência, especialmente movimentos sociais, além do desrespeito sistemático aos direitos humanos.

 

 

 

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