CRÔNICA SOBRE UTOPIAS

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Foto: Por do Sol na Laguna dos Patos (Sandro Miranda)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Se as coisas são inatingíveis… ora!

Não é motivo para não querê-las…

Que tristes os caminhos, se não fora

A presença distante das estrelas!

(Mário Quintana)

 

Eduardo Galeano disse certa vez que o papel das Utopias é o de nos fazer caminhar, de seguir firmes aos horizontes sonhados visando a construção de um mundo melhor e não, necessariamente, idealizado.

A palavra utopia tornou-se universal com a obra do inglês Thomas Morus que escreveu sobre uma civilização organizada, equilibrada, ideal e imaginária. Contudo, existem outras obras anteriores que já abordavam a existência de sociedades utópicas, como a República de Platão. Derivada do grego “ou + topos”, utopia é traduzida comumente como “um lugar que não existe”.

Mas será que as utopias realmente não existem? Será que são apenas sonhos distantes que servem para projetar a nossa caminhada, ou será que a utopia também pode ser um mundo, um imaginário de sonhos a serem concretizados. Creio que o segundo caminho é o mais adequado!

Utopias não são sonhos distantes e irrealizáveis. São projetos de vida, de mundo, que podem e devem ser vivenciados. A utopia verdadeiramente transformadora é aquela em que efetivamente acreditamos, que lutamos pela sua concretização e que passam a fazer parte do nosso ser e agir diária, sendo efetivamente vivenciadas.

Ao contrário do que prega a visão dominante, que tenta nos impor um mundo mecânico e sem alternativas, que coloca a destruição do planeta, das espécies e dos direitos humanos como fatos dados, a sociedade nunca esteve tão carente de sonhos, desejos e de novos caminhos, portanto, de utopias.

Os novos utopistas não são sonhadores que projetam mundos escritos em livros eruditos, mas os verdadeiros agentes da transformação. São cidadãos e cidadãs conscientes do seu papel ativo na construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e igualitária.

As utopias nascem no nosso íntimo e criam um estado de espírito insurgente, voltado à realização de sonhos e à superação dos limites definidos pelos opressores. É por isso que não podemos mais considerar as utopias apenas como um projeto de mundo, mas como uma construção diária que é trazida à vida por nossas ações.

 

 

 

 

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