A ALTIVEZ DE DILMA ROUSSEFF

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Foto: Dilma Rousseff no Senado em 29/08/2016

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Este artigo está sendo escrito no dia 30 de agosto. Portanto, ainda não temos uma posição oficial sobre a votação do Senado. Mesmo assim, já podemos destacar um grande ponto positivo de todo o processo que foi a altivez e serenidade da primeira Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff.

Assim como na juventude, quando sentou ao banco dos réus três vezes diante de tribunais militares para defender a democracia, a verdadeira ocupante do cargo mais importante do Poder Executivo Federal, novamente enfrentou o julgamento golpista e colocou a defesa do regime democrático como um valor irrenunciável.

Pouco importam os discursos vazios e raivosos da Globo, de “Janaínas Paschoais”, Aécios, Realles e outros golpistas. Eles perderam no principal debate: o da verdade! O arranjo conservador de ocasião do Congresso não derruba os elementos factuais expressos em toda a discussão travada no Congresso: os únicos crimes cometidos por Dilma foram os de defender a correção administrativa, a democracia, e o de ter nascido mulher. Isto mesmo, a Presidenta não está sendo julgada por seus erros, mas por seus méritos!

Durante os 14 anos que atuou na explanada, a mineira radicada no Rio Grande do Sul foi sempre conhecida pela sua correção, sendo várias vezes criticada pela sua preocupação com o comportamento probo dos seus assessores. Não existe nenhum elemento que indique uma conduta ilegal da Chefe do Executivo, tão somente ilações sem conteúdo jurídico criadas como fumaça para esconder a corrupção da direita e da mídia.

A defesa intransigente da Democracia e das instituições democráticas também é outra marca da administração de Rousseff. Dilma soube se reinventar várias vezes, e mesmo cometendo erros, por mais que tenha sido acusada de teimosa, sempre buscou transformar a gestão pública para melhor, mas não suportou o medo da escumalha golpista ameaçada pelo combate à corrupção.

Mas a grande vitória histórica de Dilma, a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo da nação, também é objeto da fúria inquisitorial do patriarcado machista. Diga-se de passagem, não estamos falando de qualquer mulher. Estamos falando de uma pessoa que aos 18 anos largou tudo para enfrentar a ditadura militar e defender a democracia. Que na mesma juventude foi presa, espancada e torturada e, ainda assim, manteve-se uma gigante diante dos seus violadores. Na democratização Dilma foi Secretária de Estado, Ministra e Presidenta. Causou pânico na imprensa oligopolista ao defender a aplicação de uma regra da língua portuguesa que era ignorada pelos detentores do poder ao estabelecer que deveria ser tratada como Presidenta, com “a”, e o não pelo termo genérico com “e”. E veja só, esta não é mera discussão semântica, e sim ação afirmativa contra o preconceito.

Enfrentar o preconceito, aliás, foi outro fator que marcou a trajetória de Dilma, que foi criticada por assumir o cargo maior do país sendo, além de mulher, divorciada. Para o patriarcado conservador esta foi mais uma derrota. Afinal, não se admitia que uma mulher pudesse dirigir um país e não depender de um homem na vida pessoal.

Dilma foi sempre superior a todas as críticas e acusações injustas que sofreu, sendo responsável por uma verdadeira mutação no quadro político internacional ao dar continuidade à agenda política construída a partir dos países do “Sul do Planeta”, que antes havia sido iniciada por outro sobrevivente, Luiz Inácio Lula da Silva. Também foi implacável no combate à corrupção, doa a quem doer, e isso fez com que criasse inimigos, inclusive nos gabinetes mais próximos no Palácio do Planalto (mais especificamente no Palácio do Jaburu).

Ao ser levada, novamente, para confrontar um juízo golpista, Dilma Vana Rousseff foi precisa ao afirmar: “não esperem de mim o silêncio dos covardes. No passado com as armas, e hoje com a retórica jurídica, pretendem acabar com o Estado de Direito […]. Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, luto pela democracia e pela verdadeira justiça”.

Como se vê, não será a história que fará justiça à Dilma. A própria Presidenta já vem fazendo isto, sendo um exemplo de honra e dignidade para todos aqueles que acreditam na esperança e nas possibilidades de transformar o mundo!

 

 

 

 

 

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