SEM LEGITIMIDADE, TEMER PRETENDE LEVAR PAÍS AO CAOS

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Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Se há uma prerrogativa que não foi herdada por Michel Temer após o anúncio do golpe é a da legitimidade. Sua ascensão ao cargo mais alto do país se deu por meio de um arranjo parlamentar de ocasião, sem apoio de qualquer base social concreta dos capitais financeiro e do internacional.

Não tendo legitimidade social, sem assumir compromissos reais com os eleitores por meio do sufrágio universal, Temer ganhou carta branca dos seus asseclas para desmontar o estado, destituir políticas públicas e acabar com direitos. São medidas indefensáveis em qualquer processo eleitoral. Logo, ninguém melhor habilitado para desconstruir nossas conquistas em pouco menos de 30 anos de Democracia do que alguém que chegou ao poder sem ter passado por eleições.

Assim, definitivamente o usurpador da presidência, veste a roupa de ditador, e tal qual Pinochet, Videla ou qualquer outro golpista que tenha comandado algum país da América Latina durante os anos de chumbo, expõe sem nenhum pudor a sua agenda política: entregar o Pré-sal ao capital internacional, reduzir os recursos para saúde, para educação e para proteção ambiental, privatizar serviços públicos em todos os campos, inclusive o ensino superior e o SUS, cortar despesas públicas em todos os setores, incluindo as de investimento, promover demissão voluntária em massa de servidores, ampliar a idade da aposentadoria, acabar com as férias, o 13º salário e uma série de outros direitos trabalhistas, dentre outros absurdos.

Em síntese, o desenho de país proposto por Michel Temer (PMDB/SP) deve resultar em desagregação da economia, desemprego em massa, exclusão, redução da capacidade de consumo interno, redução da renda dos trabalhadores e numa falência social sem precedentes.

As propostas de Temer são as de um país sem autonomia política, com economia subordinada e com a sociedade mergulhada num abismo sem fim. Se alguém buscar como referência a trágica década de noventa dos idos de Collor e FHC, esqueça! O projeto defendido por Michel Temer é muito pior, pois este não precisa de apoio da população. FHC passou por eleições. Temer não precisa disto. A busca de legitimidade social não está no seu horizonte próximo. Logo, tudo tende a ser muito pior e mais agressivo.

Caminhamos, desta forma, indiscutivelmente para um caos sem precedente na história recente do país. O gestor do golpe deverá comandar um regime de terrorismo econômico e violência. As vítimas imediatas são os trabalhadores, especialmente aqueles que ocupam as camadas mais pobres da população, pois além da perda de direitos, devem sofrer com os cortes nos gastos de saúde e educação.

Silenciar, neste momento, é compactuar com a tragédia. A nossa jovem democracia foi definitivamente descartada pelos donos reais do poder.

 

 

 

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