A SOCIEDADE DOS INDEFINIDOS

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Foto: Esportistas, pintura de Kazímir Maliévitch, 1931.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Sonhei, nesta noite, viver na sociedade dos indefinidos.

A sociedade dos sonhos contidos, dos desejos perdidos,

onde limites se sobrepõem à esperança…

 

Na sociedade dos indefinidos, as vidas são de aparência,

e mesmo os discursos mais revolucionários não são reais.

 

As relações são de distância, as amizades troca de favores

as emoções estão perdidas num jogo de interesses sem fim.

 

Na sociedade dos indefinidos, ninguém é o que diz realmente ser,

todos usam máscaras como roupagem de vida,

e quem se apresenta, na sua mais pura imagem, é isolado…

 

Na sociedade dos indefinidos, não adianta lutar, querer construir,

pois sempre haverá um senão, uma luta encarniçada por poder,

e gestos de solidariedade serão interpretados como ofensas…

 

Isto, porque, na sociedade dos indefinidos, ninguém confia em ninguém,

amor e ódio são tratados como sinônimos,

e sentir de verdade, acreditar de verdade, são atos impossíveis.

 

Na sociedade dos indefinidos, a palavra utopia foi abandonada,

todos vivem exclusivamente em torno de suas próprias vontades

e veem o mundo existente como solidamente imutável…

 

Mas, do sonho, acordei, voltei ao mundo real,

onde ainda é possível sonhar, onde ainda é possível acreditar,

onde é possível amar e, acima de tudo, onde ainda é possível viver…

 

 

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