A CRISE DA SAÚDE PÚBLICA E O CONHECIMENTO POPULAR

Ervas-Finas-para-Chá-2

Foto: ervas de chás

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

É inquestionável que a crise do sistema público de saúde no Brasil está diretamente vinculada ao problema da falta de recursos, situação que é agravada com o renascimento das políticas neoliberais e dos ajustes fiscais. A aprovação da PEC 241/55 pelo Congresso, que congelou o crescimento da pauta social nos governos por 20 anos, deve apenas contribuir para um caos ainda maior neste serviço.

Sem profissionais, sem remédios, sem estrutura, sem tecnologia, dentre outras ausências, não podemos esperar que soluções mágicas surjam e coloquem fim à crise. Logo, um passo definitivo para fortalecer o Sistema Único de Saúde – SUS é ampliar as fontes de financiamento e aumentar a sua eficiência.

Todavia, existem tratamentos reconhecidos pelo próprio SUS que poderiam contribuir para a redução do seu custo operacional da saúde, mas que não são tratados com a seriedade devida. O corpo técnico do Ministério da saúde reconheceu terapias consideradas alternativas ou tradicionais no seu universo de cobertura do SUS. Mesmo assim, não observamos uma resposta com a velocidade adequada pelo sistema para absorver tais técnicas.

Há inequívoco predomínio do pensar alopático na gestão do sistema nacional de saúde e, por óbvio, na gestão pública. A pressão dos grandes laboratórios, o marketing das novas medicações e o pouco investimento na validação científica do conhecimento popular são fatores que contribuem para a elevação do custo do sistema. Além disso temos a corrupção que acompaha as grandes licitações e a gestão dos estoques dos remédios de alto custo.

Ocorre que várias doenças, especialmente aquelas que são identificadas na porta de entrada dos sistemas de saúde, podem ser solucionadas com a utilização do conhecimento tradicional e o uso de ervas reconhecidas pela população. Quem nunca tomou um chá de camomila para regular a atividade instestinal, de carqueja para problemas estomacais ou, ainda, de cidreira para enfrentar a ansiedade. O universo de soluções não alopáticas para melhorar os cuidados com a saúde é imenso e não depende da química laboratorial. É uma cultura fomentada de forma oral, trasmitido de pai para filho, de avó para mãe, e que ultrapassa gerações. Até mesmo doenças graves como miomas uterinos possuem tratamento com remédios populares como o chá de unha-de-gato.

Então questiona-se, porque tais soluções não recebem o tratamento adequado, especialmente se considerarmos que praticamente todos os municípios do país possuem redes de saúda da família e o próprio país possui um sistema organizado de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS?

A resposta pode estar na falta de interesse político dos gestores, no preconceito social e intelectual, na predominância de uma mentalidade retrógrada de administradores aprisionados pela alopatia, no lobbie financeiro dos laboratórios, dentre outros. O certo é que a falta de ações efetivas por parte dos governos no fomento da aplicação do conhecimento popular na área da saúde apenas acaba encarecendo tratamentos e tornando esta em uma política elitista.

 

 

 

 

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Um comentário

  1. Republicou isso em Paulosisinno's Bloge comentado:
    Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.
    É inquestionável que a crise do sistema público de saúde no Brasil está diretamente vinculada ao problema da falta de recursos, situação que é agravada com o renascimento das políticas neoliberais e dos ajustes fiscais. A aprovação da PEC 241/55 pelo Congresso, que congelou o crescimento da pauta social nos governos por 20 anos, deve apenas contribuir para um caos ainda maior neste serviço.

    Sem profissionais, sem remédios, sem estrutura, sem tecnologia, dentre outras ausências, não podemos esperar que soluções mágicas surjam e coloquem fim à crise. Logo, um passo definitivo para fortalecer o Sistema Único de Saúde – SUS é ampliar as fontes de financiamento e aumentar a sua eficiência.

    Todavia, existem tratamentos reconhecidos pelo próprio SUS que poderiam contribuir para a redução do seu custo operacional da saúde, mas que não são tratados com a seriedade devida. O corpo técnico do Ministério da saúde reconheceu terapias consideradas alternativas ou tradicionais no seu universo de cobertura do SUS. Mesmo assim, não observamos uma resposta com a velocidade adequada pelo sistema para absorver tais técnicas.

    Há inequívoco predomínio do pensar alopático na gestão do sistema nacional de saúde e, por óbvio, na gestão pública. A pressão dos grandes laboratórios, o marketing das novas medicações e o pouco investimento na validação científica do conhecimento popular são fatores que contribuem para a elevação do custo do sistema. Além disso temos a corrupção que acompaha as grandes licitações e a gestão dos estoques dos remédios de alto custo.

    Ocorre que várias doenças, especialmente aquelas que são identificadas na porta de entrada dos sistemas de saúde, podem ser solucionadas com a utilização do conhecimento tradicional e o uso de ervas reconhecidas pela população. Quem nunca tomou um chá de camomila para regular a atividade instestinal, de carqueja para problemas estomacais ou, ainda, de cidreira para enfrentar a ansiedade. O universo de soluções não alopáticas para melhorar os cuidados com a saúde é imenso e não depende da química laboratorial. É uma cultura fomentada de forma oral, trasmitido de pai para filho, de avó para mãe, e que ultrapassa gerações. Até mesmo doenças graves como miomas uterinos possuem tratamento com remédios populares como o chá de unha-de-gato.

    Então questiona-se, porque tais soluções não recebem o tratamento adequado, especialmente se considerarmos que praticamente todos os municípios do país possuem redes de saúda da família e o próprio país possui um sistema organizado de Educação Popular em Saúde no âmbito do SUS?

    A resposta pode estar na falta de interesse político dos gestores, no preconceito social e intelectual, na predominância de uma mentalidade retrógrada de administradores aprisionados pela alopatia, no lobbie financeiro dos laboratórios, dentre outros. O certo é que a falta de ações efetivas por parte dos governos no fomento da aplicação do conhecimento popular na área da saúde apenas acaba encarecendo tratamentos e tornando esta em uma política elitista.

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