FLOR DE CACTOS

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Foto: Cactos em São José do Norte/RS (2006)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais

Quando pensas na sua vida, qual é a imagem mais bela que aparece? Algo que lhe marque, que determine o seu destino de alguma forma, que por onde andares, encontrarás um significado?

Muitos utilizarão marcos de vida, como o nascimento de um filho, a superação de uma doença, a conquista de um sonho como a colação de grau na universidade. Os pragmáticos talvez indiquem a primeira vez que tocaram o dinheiro. Já as pessoas mais sonhadoras, que ainda acreditam que é possível semear a vida, podem lembrar de um rio, de uma praia, de uma flor, ou de algum momento incomum para os olhos humanos tradicionais.

A vida nos reserva surpresas quando menos esperamos, podemos encontrar mensagens singelas e sublimes em pessoas que nunca vimos. Vocês já notaram como as pessoas se surpreendem com pequenos gestos de carinho, especialmente aquelas que são invizibilizadas pela sociedade? O carinho, que deveria ser a regra, é a exceção, talvez por isso vivamos em um mundo que ainda proclama a violência, e no qual atos que causam repulsa não mais nos surpreendam.

De que adianta amar se somos incapazes de aceitar os limites do outro? Às vezes somos albarroados pela vida para entender que é necessário colocar um freio na nossa ânsia de ganhar, superar obstáculos, sermos maiores. A nossa grandeza não está nos grandes gestos, mas nas expressões mais singelas. Somente podemos salvar vidas, quando estamos preparados para perdê-las, pois todo o ato de salvação também é um ato de perda. A essência de uma vida é a consagração da sua liberdade, por isto a perda. É duro termos que carregar nossos próprios pesos e aceitarmos que o outro precisa caminhar livre e que, muitas vezes, para caminhar é preciso ter dificuldade. Liberdade pressupõe responsabilidade e, para tanto, superar dificuldades com os próprios passos.

Na nossa ânsia de cobrir vários espaços ao mesmo tempo, também nos autodestruímos e, assim, presos à nossa mais íntima vaidade, deixamos e viver e não conseguimos ajudar ninguém. Para viver novos caminhos, precisamos estar preparados para superar o passado. Não quer dizer deixá-lo para trás, pois deixaríamos de ter história, mas caminhar sem olhar para trás. Quem caminha sempre olhando para trás, pode acabar tropeçando no próprio passado, e assim não evoluir.

Hoje, tive a oportunidade de conhecer uma história simples e, nem por isto, menos bela. A história de uma menina que plantas ervas e cactos. Sim, cactos, aquelas plantas cheias de espinhos, resistentes e que muitos não dão valor. Seu nome, “amante da paz”. Pois a todos os novos amigos ela presenteia com uma dessas plantas pitorescas, que produzem flores com uma beleza rara, especial. E assim, desta forma, ao transformar a vida de outros, ela também torna único cada momento da sua vida…

 

 

 

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