BUSCAR O IMPOSSÍVEL

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Foto: detalhe de “Criação” de Michelangelo.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais

Vivemos na sociedade dos limites, onde o impossível nos é colocado todos os dias como uma barreira intransponível. Mas afinal, existe realmente alguma coisa para a qual não estamos aptos? Tenho uma breve tendência a acreditar que o real limite das possibilidades humanas e sociais está assentado em um momento, ao qual chamo de “parede do tempo”.

A “parede do tempo”, como o próprio nome já diz, é uma barreira que criamos para limitar a nossa engenhosidade e capacidade de transformar. Não é algo permanente, nem fixo, nem sólido, pois pode ser rompido a qualquer momento pela observação de uma mente inquieta que vai além da sua programação. Não fosse assim, jamais poderíamos alcançar o céu, pois o homem primitivo via este como um espaço próprio dos pássaros, quiçá dos anjos se nestes acreditasse.

Einsten foi o primeiro a realmente demonstrar que podemos viajar no tempo, voltando ao passado, mesmo que o nosso limite seja o da invenção da máquina do tempo. E aí está a teoria da relatividade, esperando ser superada por alguém que, como o físico alemão, não se contente com o aprisionamento aos dogmas científicos.

Podemos, sim, ir além. A nossa ansiedade inata pelo novo nos permite romper fronteiras antes intransponíveis. Quem sabe a descoberta da cura de doenças como a AIDS e o Cancer já existam e nós nem tenhamos tido a possibilidade de visualizá-las. Quem sabe já exista alguém que tenha descoberto fórmulas para acabar com o aquecimento global. Ou, ainda, que já existam mecanismos para recuperar ambientes degradados pela ação humana e devolver à vida o seu real espaço? Quem sabe?

O impossível do passado é o possível do presente. O impossível do presente, pode ser o possível do amanhã ou, talvez, o possível sendo vivenciado sem que percebamos. A nossa mente, muitas vezes, não consegue notar as transformações que dos tempos vividos. Afinal, até mesmo o amor impossível dos românticos deixa de ser impossível ao tornar-se amor. Pois quem ama vive o amor e se este é vivido, já tornou-se concreto, real.

Spinosa disse, certa vez, que “as coisas nos parecem absurdas ou más porque delas só temos um conhecimento parcial e estamos na completa ignorância da ordem e da coerência da natureza como um todo”. E aqui está uma boa definição para o impossível: falta do conhecimento da totalidade. Vivemos em um mundo dominado por parcialidades, onde cada um e cada uma constrói o seu próprio universo e a sua própria realidade. Talvez, simplesmente talvez, se dedicarmos um pouco da nossa energia para olhar ao redor, poderemos descobrir que o impossível não mais existe, pois tornou-se verdadeiro no universo paralelo aos nossos olhos!

 

 

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