O CANTO DOS OPRIMIDOS

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Foto: Jó, de Cândido Portinari (1944)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

Ouço gritos de desespero, que bradam sem cessar.

De onde vêm?

De todos os lugares, talvez de nenhum.

São as vozes daqueles que sofrem.

Encontram-se esquecidos nos velhos depoimentos.

Estão perdidos em textos e documentos empoeirados.

Talvez amassados em números.

Ouço o canto dos oprimidos, que clamam por decisões.

Acreditam em sonhos distantes, e gritam para sem ouvidos.

São sons perdidos em desertos, escondidos por entre dunas revoltas.

Sofrem com a violência e a opressão, temem abrir os olhos.

Não acreditam no futuro, nem em artes cândidas.

Estão cansados do suplício e esperam muito de vós.

Clamam por uma regra que os liberte, que conquiste seus corações.

Não aguentam mais a força que suprime as suas opiniões.

Querem paz e justiça, aspiram no fundo a igualdade!

Amam sem ter amor, desejam mesmo sem poder,

pois mesmo doentes, sofridos, não querem desistir.

 

 

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