POR QUE É TÃO DIFÍCIL FALAR DE AMOR?

quixote

Foto: Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

Vivemos um momento complicado. Cada vez mais a sociedade caminha rapidamente para um universo de agressão contínua, onde o ódio e a intolerância são celebrados como virtudes. O domínio da concorrência, de uma racionalidade maldosa, onde o outro é visto como inimigo é defendido como medida correta nos processos formativos de gestores.

Falar de amor virou tabu! Amar é tido como ultrapassado, brega, ridículo, para usar as palavras do poeta Português Fernando Pessoa. Barreiras são erigidas em todos os cantos para nos condicionar a viver no mundo do desamor. Temam se expor, declarar aquilo que de mais profundo e belo pode existir dentro do ser humano: o ato de sentir amor.

Alguns veem o amor como ato de agressão, como uma ofensa à moral. Retrocedemos eras em termos de civilidade. As pessoas caminham em um mundo de frustrações contínuas, tornando-se reféns do medo. E medrosas, refugiam-se em redomas, nos seus próprios muros. Sofrem silenciosamente porque a felicidade passou a ser um atributo derivado do comércio. Os próprios sentimentos são comercializados em máquinas. Aliás, em alguns países orientais as pessoas compram robôs para fugir da solidão e fingir que são amadas pelo simples medo da rejeição!

Na verdade, essa lógica do esconderijo não é normal e nela encontramos as raízes de uma violência continua contra o espírito. Particularmente, não acredito nas soluções pautadas no medo e no ódio. Entendo que nada pode ser mais pleno e completo do que o ato de amar. E vejam bem, quem ama não necessariamente busca a reciprocidade. Busca, simplesmente, querer o bem de alguém, desejar a sua felicidade, ultrapassar as barreiras que nos bloqueiam nas mais duras prisões da alma.

Na minha vida, quero amar plenamente e da forma mais intensa possível. Mesmo que de forma efêmera, pois acredito na aprendizagem pelo amor. Quem ama, cresce, avança, torna-se humano no sentido absoluto. Aliás, tal qual o mais nobre dos poetas, também vou lutar pelo direito de todos e todas poderem expressar o seu amor. O ódio, portanto, será meu inimigo. Prefiro ser ridicularizado como Dom Quixote, mas lutar por aquilo que acredito, pois não há nada de errado em amar…

 

 

 

 

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