POR QUE É PRECISO LUTAR?

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Foto:Dom Quixote e Sancho Pança no Cavalo-de-pau“, Cândido Portinari (1956)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais, responsável pelo blog Sustentabilidade e Democracia.

O primeiro esboço deste artigo tinha como título: “O Fim do Estado de Direito”. Entretanto, logo após uma reflexão, notei que iria apenas retratar algo que já está extinto há muito tempo no Brasil. O circo armado para o julgamento de Lula, no processo de “corrupção fantasma”, que só existe na mente dos magistrados que conduziram a causa, é apenas mais uma pedrinha depositada no túmulo do Estado de Direito. Este começou a morrer com o paradoxo de Rosa Weber, “não tenho provas, mas tenho convicção”, passou pelo golpe de estado que afastou Dilma Rousseff, pelas centenas de prisões cautelares abusivas executadas pela justiça federal do Paraná, por conduções coercitivas de pessoas com endereço certo sem serem citadas, pelo desmonte de políticas públicas, pelo congelamento do orçamento das políticas sociais por 20 anos visando garantir os interesses do mercado financeiro, pela execução de verbas alimentares pelo STJ para atender interesses de bancos, pela vigência de um estado policial permanente, onde um jornalista é chamado em juízo (Eduardo Guimarães) por juiz despótico (Sérgio Moro), visando quebrar o sigilo da fonte. Ou seja, não é possível declarar o fim daquilo que não existe mais!

Mas aí vem a pergunta, neste cenário de tragédia, qual é o papel da esquerda? Resposta simples: Lutar! Nunca, em momento algum da nossa história foi tão importante lutar! A ditadura tecnocrática e togada não é muito diferente das demais que já passamos, talvez apenas com uma falsa legitimidade formal. Todavia, não falo de uma luta acrítica, submissa, regida por um calendário eleitoral, mas por um processo crescente de mobilização em torno da transformação social.

De nada vale sentar na cadeira e reproduzir hábitos conservadores. Os espaços de fala, duramente conquistados pelo campo de esquerda, devem ser valorizados para defender ideias que promovam verdadeiras mudanças. De nada adianta querer combater a violência social e o tráfico de drogas com mais violência, é preciso investir em políticas inclusivas e de valorização da cidadania. Participação social, economia solidária, educação popular, inclusão produtiva, sustentabilidade são ações essenciais, que devem ser colocadas em prática todos os dias.

Nós devemos colocar a nossa consciência a serviço de uma nova ordem, onde duas palavras sejam as bandeiras principais: esperança e transformação! Sem esperança, nos tornamos presas fáceis para os donos do poder. Transformação é o nosso horizonte e começa internamente, no nosso espírito.

Portanto, quando te proporem o silêncio, a acomodação, a submissão, não tenha medo de dizer: EU NÃO ACEITO! É somente não aceitando a opressão que vamos poder mudar o que está posto!

 

 

 

 

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