NÃO EXISTE AMOR PERFEITO

Frederick_Leighton_-_The_Reconciliation_of_the_Montagues_and_Capulets_over_the_Dead_Bodies_of_Romeo_and_Juliet

Foto:Reconciliação dos Montecchios e Capuletos“, de Frederic Leighton (1855)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

Na sociedade do cálculo, os cientistas buscam explicações completas para definir tipologias para as emoções. Alguns apelam para experiências com imagens, outros para cálculos matemáticos, outros simplesmente utilizam a definição de elementos que se repetem no comportamento das pessoas para identificar as características típicas daquilo que está sendo sentido por este ou por aquele indivíduo: uma hora é amor, outra paixão, outra mera atração sexual. É como existissem fronteiras rígidas que delimitam as emoções.

A mecânica científica da modernidade nos impôs o método da padronização. Da definição de conceito tipológicos que servem de molde para a análise de qualquer situação. Aquilo que se diferencia chamamos de variável ou de desvio, daí surgem os erros e preconceitos que tanto aprisionam o comportamento humano.

Não estou aqui querendo criticar o brilhante trabalho de Weber na composição de seus tipos ideais, mas afirmando que a padronização de emoções e de comportamentos não resolve as principais patologias enfrentadas pelos indivíduos, como depressão, solidão, manias e tantas outras. No fundo, esta padronização acabou servindo muito mais como um instrumento para alavancar a indústria farmacêutica do que para socializar. Há um freio químico para as nossas frustrações e um esvaziamento crescente do sentido da vida.

Faço esta pequena introdução para afirmar, peremptoriamente, que não existe “amor perfeito”. A “perfeição do amor” foi uma ilusão literária do século XIX, que até alimentou um movimento: o Romantismo. Se analisarmos com cuidado as obras literárias no Romantismo, vamos notar o caráter idílico das personagens, que se apresentam com as características mais sublimes identificadas pelo autor. O apelo do cinema no século XX, especialmente na época de ouro das grandes matinés reforçou esta ideia, a dos príncipes encantados, das princesas delicadas e uma série de outras características que também traduziam outro traço comum no amor idealizado que é a dominação patriarcal.

Isto não quer dizer que seja impossível amar e que o amor seja uma farsa, ao contrário. São as emoções que nos dão vida, são as emoções que tornam humanos, são elas que alavancam o nosso crescimento pessoal e espiritual. E o amor, com certeza, é a mais completa de todas as emoções. Talvez seja possível “aprender a amar”, como leciona Eric Fromm. Eu, particularmente, prefiro outra definição: “é preciso viver o amor, com todas as suas imperfeições”. Porque quando amamos, sem preconceitos, sem culpas, nos libertamos e damos razão ao que temos de mais importante que é o nosso direito de viver.

 

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