INDÚSTRIA NAVAL: Por Que Não Economia Solidária?

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Foto: trabalhadores demitidos na empresa Ecovix, em Rio Grande/RS

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais, responsável pelo Blog Sustentabilidade e Democracia.

O lançamento da Cartilha da Economia Solidária pela Assembleia Legislativa no Município de Rio Grande teve o papel fundamental de demonstrar a relevância e a importância deste segmento para a economia, inclusive com a indicação de modelos normativos para a criação de “sistemas locais para a gestão da economia solidária”.

Entretanto, é precisa destacar que ainda temos uma visão equivocada sobre este modelo econômico, centralizada na agricultura familiar, na pesca, no extrativismo e na economia de subsistência. Estes são dados oficiais que fazem parte do SIES, Sistema de Informação da Economia Solidária, mantido pelo Ministério do Trabalho até 2016, quando do afastamento da Presidenta Dilma Rousseff (PT).

Mas existe todo um outro segmento que compõe este mercado, com grande importância e elevado valor agregado que é o das empresas recuperadas. Para quem pensa falarmos de uma utopia, basta lembrar que a Coorporação Mondragon, oriunda do País Basco, na Espanha, hoje possui mais de 75 mil cooperados e uma receita total, em 2010, de 14,8 milhões de euros, sendo o sétimo maior grupo empresarial do país. Aliás, tanto a Espanha quanto a França possuem vários empreendimentos do gênero, todos com excelente resultado econômico e responsável pela manutenção de milhões de empregos.

No Brasil também temos modelos de sucesso, como a Geralcoop (RS), responsável pela fabricação dos fogões Geral, a CTMC (antiga Vogg), também no Rio Grande do Sul e a UNIFORJA – Cooperativa Central de Produção Industrial de Trabalhadores em Metalurgia, de Diadema (SP), maior fabricante de anéis, flanges e conexões de aço forjado em toda a América Latina.

A história das empresas recuperadas é sempre a mesma, foi dado início à demissão em massa, as empresas entraram em falência e os trabalhadores começaram a resistir, ocupando as unidades e mantendo a produção. Apesar das dificuldades, a história demonstrou o sucesso desta iniciativa.

Portanto, no momento que a última plataforma sai do estaleiro EBR em São José do Norte, e cerca de 20 mil trabalhadores e trabalhadoras perdem empregos em toda a região, questiono: por que não Economia Solidária? É evidente que a volatilidade do capital offshore traz dificuldades, que o fim da política de nacionalização da indústria naval trazem prejuízos, a falta de políticas públicas nacionais para o segmento, mas quem disse que o trabalho das empresas recuperadas foi fácil? Tudo pode começar aos poucos, com organização, luta, formação, busca de financiamento e mercados. O que não podemos é aceitar ver bilhões de reais em investimento público virar sucata. A economia solidária está aí para dar o seu exemplo de luta.

 

 

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