ESTE MEU CORPO QUE ARDE

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Foto: Vuelo Crepuscular, de Constanza Cohen

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

Nasci em noite de fúria,

quando raios cortavam o céu seguidos do estrondo de trovões.

Nada estava calmo,

nem os pássaros, sempre em alegre sinfonia, conseguiam encontrar o tom!

Nasci para não ser reto, para violar sistemas e desmontar as normas,

transformar dores em poemas

e mesmo assim, andar por aí incerto,

embriagado pela minha falta de lucidez.

Sou como lava incandescente,

fogo na sua mais pura descrição.

Sou impuro, impertinente, inconveniente,

a nada dedico devoção.

Meu corpo arde de forma contínua,

nada me tranquiliza. Estou sempre em busca de mais,

não tenho versos, não tenho rimas,

e de cumprir regras, sou incapaz.

Meus pés já nasceram marcados por bolhas.

Tenho a impressão que já caminhava no ventre,

ou de tão impaciente não aceitava mais a tranquilidade,

queria soltar meu grito e mudar as rotinas da tarde.

Não tenho tarefas, destino ou missão,

sou uma alma que repele as certezas.

Luto por vozes caladas e no fundo não tenho ambição.

Sou guerreiro de causas perdidas em que apenas eu acredito.

Sou como um vulcão intranquilo, sinto meu corpo em ebulição.

Quero romper os muros pois não aceito mais o isolamento dos símbolos.

Não sou amado, nem querido, nem admirado,

embora ame intensamente a quem desejo.

Sou parte de um mundo perdido.

Sou a reação da natureza e do oprimido.

Um pedaço, de um pedaço do que já foi pleno.

Talvez já tenha sido engolido pelo fogo e nem percebi…

 

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