O AMOR NÃO PRECISA DE JUSTIFICATIVAS

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Foto:Parque Enfeitiçado“, de Leonid Afremov

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Existe um provérbio que diz: “o amor, quando justificado, é qualquer outro sentimento, mas não é amor”. Este é um sentimento pleno, completo, que não precisa de justificativas. Apenas na lírica das poesias as metáforas e os adjetivos servem para dimensionar a beleza da emoção. Mas o amor, enquanto sentimento é, ele mesmo, poesia, pois rompe as barreiras do improvável e nos liberta de todos os males, do ódio e das emoções ruins.

A pessoa que luta por amor não pede retribuição, mas se dedica com uma grandeza inigualável para proteger as suas ideias, os seus valores ou ser que ama. Portanto, como está evidente, quando falo do amor estou citando todas as suas dimensões e não apenas o clássico amor romântico, diariamente retratado em cânticos e versos.

Esta concepção de amor e de sentimentos é interessante exatamente porque vivemos numa época em que tudo exige provas e justificações. Como a nossa sociedade está calcada no medo, no ódio e na desconfiança, na disseminação de conceitos farsescos sobre a realidade, até mesmo dos sentimentos e das emoções são exigidos testes e validação.

Aquela brincadeira de adolescentes, que na verdade é parte do processo de autoafirmação enquanto indivíduo adulto, “por que você me ama”, hoje é uma regra. Eric Fromm, a quem sempre busco como referência nas suas maravilhosas obras “A Arte de Amar” e o “Ser o Ter”, destaca que vivemos em permanente processo de aprendizagem emocional, “aprendemos a amar”, como aprendemos a viver. Quando ele chega à conceituação do amor pleno, do amor adulto, qual é a sua conclusão? Que este não precisa de justificativas.

Esta conclusão não retira a beleza do amor nem a lírica das poesias, mas eleva o amor em qualidade. Acreditem, mesmo convivendo com as regras pesadas de uma sociedade de consumo, onde tudo tem preço, ainda podemos fazer coisas boas e corretas sem justificativas ou busca de validação ou aceitação.

O que vale para o amor e para as emoções, também vale para os nossos hábitos cotidianos. Podemos ser honestos sem ter que pedir aprovação, mas como um hábito costumeiro. Podemos defender os direitos humanos como regras garantidas a todos e a todas, independentemente de idade, etnia, gênero ou condição social ou partidária. Podemos amar em plenitude, sem depender de justificativas ou de validação por códigos e regras. Em síntese, ainda podemos ser humanos.

Como um amante de versos, literatura e poesias, confesso que gosto de utilizar adjetivos e metáforas para qualificar a beleza das coisas. Mas somente sinto-me confortável para declarar o amor com uma frase bem simples, já utilizada antes por Fernando Pessoa: “eu te amo, porque te amo”.

 

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