O CANTO DAS SOMBRAS

Henry-Fuseli-johann-Heinrich-Fussli-Silence

Foto: Silêncio, de Henry Fuseli (1799)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

Descobri que fui condenado às sombras,

e ser esquecido nos espaços iluminados e transparentes.

Virei o marco diferenciador entre a mão fechada e o coração.

Cada frase é um soco, cada instante uma dor.

Sou o palhaço furtivo que rouba a suas risadas no silêncio

ou peça útil nos momentos de conflito.

Cansei de ser bom apenas em momentos oportunos

e viver de migalhas. Deixo estas aos pássaros…

Não quero continuar sendo vítima do jogo infinito da pérfida língua dos outros,

nem ser destratado em público.

Amar não é ser escravo de momentos. Para tudo há limites.

Mesmo lhe querendo bem, prefiro a minha liberdade.

Vou dedicar meu tempo à busca de iluminação.

Talvez estas chagas adquiridas pela distância da luz desapareçam.

Talvez, apenas talvez… tudo é um universo de incertezas.

Mas não irei mendigar pelo seu sorriso, nem pelo seu tempo.

Não sou assim, nunca fui assim.

Em passado não tão distante era um ser indomável, indomesticável

e, de repente, mergulhei no vazio, aceitei as amarras do silêncio.

Deste silêncio que agride o meu espírito que ainda grita por seu retorno.

É curioso, mas converso com o mundo mesmo preso na minha caverna.

Mesmo no ostracismo das sombras, ainda sou um gigante.

Então, preciso partir, buscar novos destinos.

Deixar-te-ei com a tua seletividade de comportamentos…

 

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