O ABISMO DA SOLIDÃO

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Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Não existe morte pior do que a solidão.

Nada tem sentido, nada vale a pena, todas as iniciativas são vazias.

Dizem que para conhecer basta dar-lhe poder. É mentira!

Queres realmente conhecer as pessoas, perca o poder.

A mentira do mérito é a primeira a desaparecer.

Pessoas que antes viviam à sua volta somem que nem moscas.

Tornam-se presas fáceis da primeira mentira.

Trabalhos são esquecidos, sonhos abandonados, resta apenas o nada.

Às vezes surgem alguns desavisados pedindo ajuda.

Somem tão repentinamente como surgem.

É duro olhar para o lado e não ver ninguém.

Ver seu corpo sendo destruído aos poucos por uma dor sem fim.

Estou cansado dos sonhos ilusórios,

dos amores retóricos,

dos amigos de fachada.

De correr atrás, correr atrás e nunca alcança ninguém.

Sinto-me como um pedaço de carne podre sem valor.

Procuro resistir, tento escrever, debater, até versos construir.

O que sobra? Nada, absolutamente nada.

Às vezes é pior, ainda viro demarcador de humor,

tão patético, tão desprezível, tão sem sentido.

O vazio continua. Sobrevive apenas o apreço por interesse,

mas este tem hora marcada e nunca responde quando é necessário,

às vezes é pior, te deixa falando sozinho…

A vida em solidão é pior quando chegas a viver em sociedade,

porque todas as máscaras caem. Tudo fica mais claro.

O eremita das cavernas provavelmente sofre menos,

pois ele sequer conhece o mundo.

Mas o pior de todos os problemas da solidão é tentar identificar os motivos.

Afinal, onde foi que eu errei? Falar verdade é um erro?

Declarar o amor é um erro? Dizer bom dia é um erro?

Ter opinião é um erro? Lutar pelo certo, ou por aquilo que acha certo, é um erro?

Dizem que o solidário é culpado por viver isolado, mas será ele mesmo o culpado?

Na sociedade onde ninguém tem tempo para nada, salvo a sua exclusiva vontade,

mesmo os discursos de solidariedade servem para tapear interesses.

No fundo, estou cansando desta vida frágil e de abandono,

de viver cercado em fachadas vazias e sem retorno,

estou cansando de insistir contra os rochedos,

estou cansando, inquestionavelmente cansado.

Afinal, por mais que resista e teime em contrariar os fatos, estou morto.

 

 

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