CANTO PROFANO

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Foto: A Vinha Encarnada, Vincent Van Gogh, 1888.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Meu canto é profano.

Nasce em luta contra a sacralização do ódio,

da sevícia e da violência.

E fruto impiedoso das revoluções por liberdade.

 

Profano como as vozes esquecidas,

caminha com os pés enlameados de barro,

ergue-se contra batalhões alinhados,

não dorme em templos de ouro.

 

Profano como a vida,

a sua origem é da terra, da mãe terra.

Não se rende ao comércio de ídolos e mitos,

a sua alma vibra com os ventos e tempestades.

 

Meu canto é profano como o fogo,

que queima o espírito em desejos infindos,

não cansa diante dos desafios, não se entrega.

A sua fúria supera os limites impostos pela Lua.

 

Profano como os que lutam contra a injustiça.

Carrega no corpo as marcas do tempo,

transborda como os rios aprisionados

e derruba até a mais poderosa das barreiras.

 

Meu canto profano é rijo como as pedras.

Não pode ser derrubado pelas artes farsescas.

A sua força está na carne e no sangue fustigados

e que mesmo assim resistem a dor.

 

Meu canto não se rende,

salvo para as forças da natureza,

para a magia poética do coração

e para a grandeza interminável do amor.

 

 

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