PROVOCAÇÃO

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Foto: escultura Eros e Psique, de Antonio Canova

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

Sei que sou insolente

e que as vezes passo dos limites da ousadia.

Mas o que fazer diante dos teus olhos

e da luz que deles irradia?

Sou ultrajante, petulante, atrevido.

A minha audácia chega ao limite do descaramento.

No entanto, minha alma é atiçada pelo desafio,

pelo desejo de mergulhar no teu íntimo, de conhecer-te,

de descobrir teus mistérios, teus movimentos

e colher a rosa perdida dos teus desejos.

Somos, na verdade, cúmplices,

pois tramamos no silêncio da noite

as mais portentosa das revoluções.

O que seria da minha audácia sem a tua coragem,

da minha curiosidade, sem a tua preocupação da novidade,

do meu fogo, sem a tua energia infinita.

Juntos, derrubamos todas as barreiras do tempo e do espaço.

Nossos corpos se encontram e incendeiam um mundo apagado.

Somos inquietos, irreverentes, provocantes.

Se esperam a nossa submissão aos padrões costumeiros

ficarão chocados com o nosso desprezo pela ordem estabelecida.

Nós nascemos para transformar sonhos, vivenciá-los,

aquecer este universo calado pela falta de paixão.

Quisera poder encontrar-te com mais frequência,

não sobrariam escombros desses castelos fajutos.

Somos parte de uma trama sem donos, sem comando,

a subversão dos sistemas, apenas pelo nosso capricho

de nos entregarmos sem pudores ao nosso querer pleno.

 

 

 

 

 

 

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