O Silêncio do Tempo

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Foto: A Persistência da Memória, de Salvador Dali (1931)

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda

 

Ah, esses tempos insólitos, onde tudo parece aprisionado!

Vozes em silêncio, pedras que são jogadas sem sentido,

sentimentos esquecidos e almas abandonadas.

Esses tempos no qual a razão, sempre tão poderosa e dominante,

parece não responder mais aos anseios de liberdade.

No qual sonhos são jogados aos ventos do passado em nome de promessas vãs,

onde tudo que antes parecia lógico foi amassado pelas máquinas da dor.

Tempos, no qual a mera aparência parece dominar o universo,

no qual as verdades foram substituídas pela retórica infame,

onde amor, sempre tão celebrado, virou apenas uma desculpa.

Ah, tais tempos doídos em suas práticas torturantes,

queria poder romper os muros que nos separam em castas,

exprimir desejos que ultrapassam o ócio forçado.

Os tempos que ofuscam o brilho das manhãs de aurora

e apagam os seus matizes em prol de um jogo monocromático.

Tempos no qual a própria natureza parece sem esperança

e cuja aceitação nos deixa sem caminhos…

 

 

 

 

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