UMA CRÔNICA SOBRE AMOR

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Foto:O Beijo“, de Henri de Tolouse-Lautrec

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, doutorando em sociologia.

O amor só tem sentido quando experenciado. Não existem amores mecânicos, por agenda ou platônicos. Estes são todos são metáforas para dirimir outros tipos de relacionamentos que não os amorosos. Camões disse certa vez que o amor ´é como fogo, “arde sem se ver”. E, de fato, tem razão. Os amores reais, concretos, são como um fogo intenso uma ardência continua, uma vontade permanente de estar com o ser amado. Alguns psicanalistas erroneamente chama este desejo de paixão ou classificam-no apenas como a parte inicial dos relacionamentos. Mas não é bem assim.

A verdade é que todo o relacionamento, com menor ou maior grau, no início, possui uma intensidade elevada, aquele fogo declamado pelo poeta português, ou aquela vontade de se ver, de conviver, que cresce continuamente, narrada por Renato Russo na obra “Eduardo e Mônica”. Com o tempo, esse fogo permanente vai se retroalimentando, talvez diminua a sua intensidade, perdendo o monopólio das emoções da fase apaixonada, mas permanece presente. Caso não exista desejo, vontade, fogo, aí é provável que não exista relacionamento, daí o motivo pelo qual existem tantos casais frustrados, pois vivem apenas por conveniência social. Nestes casos, é provável que a ação do tempo tenha criado até amizade, que é outro tipo de amor, substituindo a chama ardente do início.

Nos relacionamento saudáveis existe uma chama de desejo onipresente, embora o fogo vá sendo administrado pelo aumento da cumplicidade. É evidente que brigas e divergência vão surgir, mas isto é comum em qualquer relação interpessoal, desde que dentro de um universo de razoabilidade, pois quando as divergências são trocadas por violência e agressão, pode existir sentimento de propriedade, de dependência, mas nunca de amor. Não existe amor imposto, seja pela presença, pela vontade individual, menos ainda pela força ou violência. O amor é, essencialmente, um sentimento no qual existe uma troca, uma sintonia, a qual já classifiquei em outra oportunidade como ressonância.

O amor, como bem destaca Eric Fromm, também possui um aprendizado. Neste processo permanente de trocas, as pessoas vão aprendendo e compreendendo o outro, algo que provoca crescimento. Aqui um outro aspecto importante, todos os relacionamentos amorosos se desenvolvem para o crescimento ou para o fim. Quando a pessoa não sente mais aquele desejo permanente de trocar experiências, é possível que estejamos diante de uma crise ou, quem sabe, até do fim da relação.

É por este motivo que um dos maiores problemas que afeta todo o relacionamento é a falta de transparência. Ninguém é obrigado a conviver com o outro, mas muitas vezes os relacionamentos são mantidos por mero comodismo, gerando frustração. A frustração permanente é a antítese do amor.

E por fim, neste momento, uma característica fundamental do amor: este gera felicidade, especialmente quando junto do ser amado. A pessoa se sente bem, feliz, quando está ao lado do parceiro/companheiro, mas esta deve ser uma situação onde exista correspondência. Não basta apenas um dos lados se sentir feliz às custas do sofrimento ou frustração do outro. Quando apenas umas das partes está satisfeita, os relacionamentos fracassam, por isto conversar e ser transparente é tão importante, até porque os relacionamentos amorosos são um processo de conquista diária.

 

 

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