A ESPETACULARIZAÇÃO DO NADA: O Exemplo do Uso Inadequado das Redes Sociais em Rio Grande/RS

sociedade-do-espetáculo

Foto: sociedade do espetáculo década de 1960

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, especialista em política, mestre em ciências sociais

O sociólogo Manuel Castells classificou a nossa era como “era da informação”, tamanha é a facilidade do acesso das pessoas à produção de dados científicos e tecnológicos por meio das redes telemáticas. Particularmente, não gosto muito deste conceito pois o mesmo tem uma contraparte, que é oligopólio de notícias em nível internacional, o que cria, na outra ponta, desinformação.

Outro termo, que eu prefiro, é utilizado pelo francês Guy Debord que classifica o nosso atual modelo consumista como “sociedade do espetáculo”, pois tudo é objeto de consumo, inclusive a notícia, razão pela qual se “espetaculiza de tudo, inclusive o nada”. Acreditem, na era do espetáculo, tudo é vendido, inclusive o nada.

Uma das formas de disseminar o nada, infelizmente, são as redes sociais, instrumento que pode e é muito útil para a troca de informações, notícias, produção científica e integração entre pessoas. Contudo, existe uma rede destinada à produção de boatos, fofocas e notícias falsas, onde todo mundo pode falar o que quiser, sem compromisso com a fonte. Pesquisas recentes indicam que o mbl – movimento brasil livre é o maior disseminador da desinformação nas redes sociais, mas existem robôs e indivíduos desinformados que fazem o mesmo. A minha recomendação, é sempre checar a fonte daquilo que se publica ou compartilha.

No caso de Rio Grande/RS, o último exemplo de espetacularização do nada foi uma falsa polêmica de proporcionais desnecessárias sobre a compra de 45 mil ímãs de geladeira pela Secretaria de Saúde do Município. Trata-se de uma medida que é novidade apenas na cidade pois os ímãs são, na verdade, as fichas de visita dos agentes de saúde no combate à dengue. Na verdade, é uma ação salutar, que convida os cidadãos e cidadãs a participarem do processo de controle das visitas, sem aquele autoritarismo nos boletins periódicos, que nos acompanha desde Oswaldo Cruz. Existem exemplos vários de ações semelhantes adotadas por Prefeituras para o controle das datas da coleta seletiva, por empresas de gás no controle da troca do botijão, e da própria área de saúde no combate à dengue, febre amarela e outras doenças disseminadas por vetores externos. O Governo do Estado do Rio Grande do Sul lançou, em 2013, campanha semelhante para o controle da qualidade dos alimentos com o uso de ímãs de geladeira.

Existem fatores ambientais que pesam na discussão, como a não utilização de papel, algo cada vez mais recomendável à administração, especialmente se considerarmos o peso deste tipo de resíduo na coleta diária. Além do mais, o emprego de estratégias educativas que se integrem ao dia a dia das famílias cria resultados muito mais positivos do que milhões em cartazes.

Entretanto, mesmo com todas essas vantagens, uma ação inovadora e barata (custo ínfimo perto dos R$ 70 mil gastos com toda a campanha de combate à dengue), foi vitimada por um boateiro de plantão e pelo uso inadequado das redes sociais. Ao contrário de contribuir para a qualidade do debate das políticas de saúde, criou-se um espetáculo inútil que não trouxe nenhuma vantagem para a sociedade.

 

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