GOLPISTAS QUEREM CARTA BRANCA PARA CORRUPÇÃO

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Foto: montagem em sentido horário Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Michel Temer (PMDB-SP) e Eduardo Cunha, Eduardo Cunha e Aécio Neves (PSDB-MG), Eduardo Cunha, Aécio Neves e Paulinho da Força (SD), todos citados em esquemas de corrupção e articuladores do processo golpista.

 

Autor: Sandro Ari Andrade de Miranda, advogado, mestre em ciências sociais.

 

Se você acha que existe alguma preocupação do movimento golpista com a moralidade pública, esqueça! O que se busca com a derrubada da Presidenta Dilma é exatamente o contrário, garantir carta branca para a corrupção política e eleitoral.

Caso ainda tenhas alguma dúvida, é sempre bom lembrar que, em momento algum, a atual Chefe de Estado foi acusada de participado de algum esquema de corrupção. A Presidenta é, na verdade, conhecida nacional e internacionalmente pela sua conduta ética, pela sua rigidez no controle do comportamento dos assessores e, reiteradamente, criticada por não ter paciência para receber políticos com má conduta.

A falta de base moral na ação golpista é tão evidente, que o objeto do processo de impedimento que tramita na Câmara é uma bisonha acusação de suplementação do orçamento para a cobertura de políticas públicas por meio de Decreto, as chamadas “pedaladas fiscais” que, não verdade, não são ilegais e nem constituem tipo infracional. Logo, não há crime de responsabilidade, e o julgamento em curso é um tribunal de exceção, ou seja, golpe de estado!

Por outro lado, se analisarmos os principais nomes do movimento golpista, vamos ver que a grande maioria, para não dizer a totalidade, possui o seu nome ligado a algum escândalo de corrupção. Podemos começar pelo principal articulador do movimento, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que desde 1989 já é citado em casos de corrupção, inclusive sendo tratado como um dos principais captadores de dinheiro no caso PC Farias, que resultou na queda do ex-Presidente Fernando Collor de Mello.

Num relato histórico sintético, em 2000 Eduardo Cunha foi citado em esquema de corrupção na Companhia de Habitação do Rio Janeiro pela cobrança de propina e fraude em licitações. Em 2005 o atual Presidente da Câmara foi acusado de ter o seu apartamento em Brasília pago pelo doleiro Lúcio Bolonha Funaro. Já em 2010 Cunha a polícia civil do Rio Janeiro registrou diálogo do parlamentar carioca com o empresário Ricardo Magro, do grupo que controla a refinaria de Manguinhos no mesmo estado, onde ambos abordam um esquema de sonegação fiscal na venda de combustíveis. Eduardo Cunha também é citado na lista de Furnas, em diversas listas dos escândalos da era de FHC e, mais recentemente, na operação Lava Jato, operação onde é citado várias vezes, resultando na abertura de processo por corrupção e lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal – STF em março de 2016.

Michel Temer (PMDB-SP), por seu turno, foi citado 21 vezes na operação Castelos de Areia da Polícia Federal, que envolve, também, o banqueiro Daniel Dantas. O processo em questão está adormecido no STF aguardando despacho do Ministro Relator. Temer também aparece na lista de Furnas, da era de FHC e na Operação Caixa de Pandora, no DF. Também é citado como beneficiário de corrupção financeira diversas vezes na Operação Lava Jato.

Além de lideranças do PMDB, não podemos esquecer do PSDB e do DEM que, além de todos os escândalos de corrupção do Governo FHC, como o Dossiê Cayman, a venda subvalorizada da mineradora Vale do Rio Doce, o escândalo de privatização das teles, a Lista de Furnas, dentre outros vários, temos o escândalo do Metrô de São Paulo e a máfia paulistana da merenda escolar, os mensalões de Minas Gerais (PSDB e DEM) e do Distrito Federal (DEM e PSDB), além o escândalo da privatização do BANESTADO (PSDB), no Paraná, que deu origem e nome à Operação Lava Jato.

O DEM, diga-se de passagem, lidera a lista de políticos cassados por corrupção 69, seguido pelo PMDB, com 62, pelo PSDB, com 58, pelo PP/PPB, com 34 e pelo PTB com 24, conforme relatório do Comitê Nacional do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. O PT, permanentemente atacado pela mídia e pela oposição e segundo maior partido do país em número de filiados, ocupa apenas o nono lugar no ranking.

Em síntese, não existe base moral na ação golpista contra Dilma Rousseff, tanto que dos 38 Deputados que votaram pelo impedimento da Presidenta na comissão especial da Câmara 35 (92%) são investigados ou réus em processos de corrupção.

A preocupação dos parlamentares com a possível continuidade no combate à corrupção instalado no país desde o primeiro mandato de Lula é evidente, tanto que a própria mídia conservadora afirma que muitos partidos saíram do Governo descontentes porque o PT não interfere nas investigações. Logo, somente pessoas muito ingênuas podem acreditar que a tentativa de golpe programada para domingo, 17 de abril, tem alguma preocupação ética. No fundo, o que opositores à Presidenta buscam é uma carta branca para continuar com os seus esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro.

 

 

 

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